A indignidade como política pública
José Castilho
[...]
As várias razões que atuam em favor da não leitura em
todo o planeta, como a nefasta desumanização imposta
pelo mundo neoliberal, simbolizado nas Big Techs que
instituiu o comando das telas na gerência das nossas
vidas virtualizando radicalmente o tempo e o espaço,
não superam a ausência ou a má política pública porque
ela é estruturante e é a única que consegue trabalhar em
escala de um país continente para proporcionar (ou
retirar) o direito à leitura e à escrita. [...]
Se o direito à leitura é a chave de todos os outros
direitos no mundo contemporâneo, é preciso dizer que
um povo que lê com proficiência tem melhores
instrumentos para resistir à servidão e aos muitos
discursos de engano do mundo contemporâneo. Trata-se
de questão crucial para um país que se pretende
democrático.
É preciso lembrar que nos tempos medievais apenas os
ungidos pelo poder real, eclesiástico ou patriarcal podiam
ler aos outros. Somente no surgimento da Modernidade,
que nos trouxe novas tecnologias com Gutemberg, o
Estado Moderno e os primeiros contrapesos da vida
democrática, que as utopias da inclusão e da equidade
social elegeram o livro e a leitura como instrumentos
essenciais à vida em sociedade num estágio civilizatório
mais avançado.
Desde então, períodos de crescimentos se alternam aos
regressivos, regulados por períodos históricos onde
livros são odiados e jogados às fogueiras ou,
inversamente, são incentivados e formam esteios
civilizatórios para uma humanidade que anseia caminhar
para um convívio melhor e mais equânime.
Por fim e em meio a tantos motivos fundamentais à vida
para incentivarmos a formação de leitores/as, lembro
nossa conjuntura imediata, esta em que vivemos sob a
predominância das fake news como prática política e a
urgência de superarmos esse patamar odioso que gera
violência e instabilidade permanentes. Mais uma vez, e a
propósito, cito a Profª. Eliana Yunes:
"Leitura não é somente alfabetização, é visão de mundo.
Quem lê, pensa. E quem pensa, não se cala. É urgente,
portanto, incentivar a leitura, não apenas em sua
dimensão educativa, mas também em sua dimensão
social e cultural. A leitura é condição para a
aprendizagem. Sem esta e seus jogos de sentido, o
homem não se converte em sujeito de sua história."
(Disponível em:
https://www.publishnews.com.br/materias/2024/12/20/a-indignidade-co
mo-politica-publica. Acesso em 06 dez. 2025. Adaptado.)
"Se o direito à leitura é a chave de todos os outros direitos no mundo contemporâneo, é preciso dizer que um povo que lê com proficiência tem melhores instrumentos para resistir à servidão e aos muitos discursos de engano do mundo contemporâneo. Trata-se de questão crucial para um país que se pretende democrático."
I.A palavra "direito" pede regência, podendo ser acompanhada por várias preposições a depender do contexto e do sentido que se pretende construir. No contexto em análise, o autor optou pela preposição "a", mas poderia, sem alterar o sentido, ter usado a preposição "de".
II.O verbo "resistir", no sentido de "fazer face a um poder superior, opor-se", pede a regência da preposição "a" para construir esse sentido. É o que acontece corretamente no excerto.
III.Em "Trata-se de", tem-se uma expressão "cristalizada" no português brasileiro, composta por um verbo com sujeito indeterminado e que pede um complemento indireto. Desse modo, a regência da preposição "de" é necessária para a construção do sentido e não cabe outra preposição nesse contexto.
É correto o que se afirma em: