Brasil
Que faço com minha cara de índia?
E meus cabelos
E minhas rugas
E minha história
E meus segredos?
Que faço com a minha cara de índia?
E meus espíritos
E minha força
E meu tupã
E meus círculos?
Que faço com a minha cara de índia?
E meu Toré E meu sagrado
E meus “cabocos” E minha Terra?
Que faço com a minha cara de índia?
E meu sangue
E minha consciência
E minha luta
E nossos filhos?
Brasil, o que faço com a minha cara de índia?
Não sou violência
Ou estupro
Eu sou história
Eu sou cunhã
Barriga brasileira
Ventre sagrado
Povo brasileiro
Ventre que gerou
O povo brasileiro
Hoje está só …
A barriga da mãe fecunda
E os cânticos que outrora cantavam
Hoje são gritos de guerra
Contra o massacre imundo.
(POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. 3. ed. rev. Rio de Janeiro-RJ: Grumin, 2019. p. 32-33.)
Em: “Brasil, o que faço com a minha cara de índia?”. O termo destacado não exerce função sintática na oração. Como denominamos esse termo?