Os usos do esquecimento
Se há coisa que as pessoas temem é a perda da memória. Esquecer nomes, rostos, números de telefone é uma ameaça que vai crescendo exponencialmente com a idade até se transformar em pânico. O que gerou uma verdadeira indústria da memória. O Renascimento especializou-se em técnicas mnemônicas. Uma delas era o “teatro da memória”, esta concebida como uma espécie de anfiteatro: em cada fileira eram acomodadas ideias ou recordações devidamente agrupadas. Depois, surgiram as substâncias quimicas.
Mas será que esquecer é mesmo tão ruim? Será que não existe um uso no esquecimento?
A verdade é que não podemos lembrar tudo, e o esquecimento seria uma proteção contra a sobrecarga. Também é verdade que não precisamos lembrar tudo: existem agendas, existem cadernetas, existem gravadores, fotos, vídeos. A aflição que uma pessoa sente por esquecer é, não raro, um prejuízo maior do que o próprio esquecimento. É muito melhor dizer algo como “desculpe, esqueci seu nome”, do que ficar suando frio e escavando em vão a memória.
Autor: Moacyr Scliar (adaptado).
O autor do texto, além de escritor, era médico e costumava relacionar essas áreas em seus textos. Nesse sentindo, assinale a alternativa que apresenta, ao mesmo tempo, uma figura de linguagem e uma reação corporal: