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399759 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Texto II


O Verde


Estranha é a cabeça das pessoas. Uma vez,

em São Paulo, morei em uma rua que era dominada

por uma árvore incrível. Na época da floração, ela

enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum,

5 ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores;

esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto,

do concreto, do cimento, os elementos

característicos da cidade. Percebi certo dia que a árvore

começava a morrer. Secava lentamente, até

10 que amanheceu inerte, sem uma folha. É um ciclo, ela

renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não

voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a

árvore, e o técnico concluiu que ela fora envenenada.

Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na

15 árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos

lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as

manhãs estava ao pé da árvore com um regador.

Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela

respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos

20 e irritados:

- Matei mesmo essa maldita árvore.

- Por quê?

- Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.

BRANDÃO, I. de L. Manifesto verde. São Paulo, Círculo do Livro, 1985. p. 16-17. (Adaptado)

De acordo com o texto, a mulher matou a árvore porque:

 

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