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Feitos de lata, mas com alma
Robôs, co-dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, marca mais um ponto para o time do desenho animado
A cena do nascimento de Rodney Lataria é um desses momentos destinados a entrar para a história da animação: transbordando de felicidade, o casal Lataria encaixa peças, aperta parafusos, rebita juntas e, com seu bebê-robô finalmente nos braços, percebe que se esqueceu de parafusar nele uma pecinha. “Querida, não tínhamos encomendado um menino?”, pergunta o pai, espiando dentro da fralda de Rodney.
Em um mundo habitado por robôs de todos os tipos e gerações, o pequeno Rodney cresce ganhando peças de segunda mão de seus primos, já que a família Lataria não é exatamente próspera, e sonha tornar-se um grande inventor. O pai de Rodney, que queria ser músico mas virou máquina de lavar pratos para garantir o sustento da casa, incentiva o filho a ir fazer sua própria sorte na cidade grande — e lá o rapaz descobre que robôs como ele e seus amigos, meio remendados, com pontos de ferrugem e pintura lascada, estão com os dias contados. A ordem agora é fazer upgrades, e quem não tiver dinheiro para comprá-los e se transformar em um robô aerodinâmico e reluzente que se prepare para terminar no ferro-velho.
Como qualquer bom filme, porém, Robôs é mais do que a soma de suas partes. Da excelente dublagem de atores como Ewam McGregor e Robin Williams (não custa recomendar que se assista à versão original) à delicadeza de personagens como o pai de Rodney e Tia Turbina, uma senhora cujo traseiro só é menor que seu coração, o trunfo do desenho bolado por Weddge, Saldanha e pelo escritor e artista William Joyce é a habilidade com que se equilibram os aspectos técnicos e criativos em prol do enredo.
Isabela Boscov. Veja, 16/3/2005, p. 126 (com adaptações).
Julgue o item a seguir quanto às idéias apresentadas no texto e à correção gramatical.
O casal Lataria ao construir o bebê esqueceu-se de colocar a peça correspondente ao sexo.