Magna Concursos
1335224 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: FAPESP
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Leia o texto para responder à questão.

O social na rede

Nome: Rodrigo Rodrigues. Moro em: Facebook. Em relacionamento com: Twitter. Religião: Orkut. Gênero: on-line.

Como fica visível em meus perfis, sou ator, jornalista, cineasta, blogueiro e diretor de arte de uma agência de propaganda. Minha vida, aliás, é um Facebook aberto. Eu uso aplicativos para informar meus seguidores onde estou, quantas colheres de açúcar coloco no café e quanto tempo falta para cortar as unhas novamente. Ontem mesmo abri uma discussão para decidir se colocava roupa branca ou escura na máquina de lavar. Cento e setenta e nove pessoas comentaram.

Toda vez que saio de casa publico fotos. Sem exceção. No bolso, celular com câmera. O celular é o melhor amigo do homem social. É o cachorro que cabe no bolso.

Tenho mais seguidores que Buda. Em uma das vezes que saí às ruas em 2012, notei que um homem me encarava. Escaneei, em vão, minha memória em busca de uma imagem que pudesse associar àquele rosto. Arquivo não encontrado. Resolvi desviar o olhar, mas ele veio em minha direção e, estendendo a mão, perguntou: “Você não é o Rodrigo Rodrigues do Facebook?” Aturdido, fiz sinal positivo com o dedo indicador. Ele sacou o celular para uma foto.

Hoje tenho tantos seguidores e solicitações de amizade que minha vida social prescinde da interface humana. Quando estou on-line, tenho controle total da linha do tempo da minha vida. Nas redes sociais, não envelheço, não titubeio, não tenho cólica ou remela. Meu perfil fica cada vez mais bonito com o passar dos anos.

Um social da rede que pretende causar não pode olhar apenas para seu umbigo. É preciso antever as novidades. A sociedade on-line dá crédito às pessoas que divulgam rapidamente um comercial engraçado, uma notícia a respeito dos benefícios da cerveja ou as expertises de um bebê.

Modéstia à parte, creio que sou reconhecido – quiçá internacionalmente – pela ampla capacidade de mobilização em prol dos temas humanitários. Se a gente não fizer o bem, quem o fará? Os jovens de 1960 quiseram salvar o mundo real. Minha geração, menos ingênua, não foge da luta: está disposta a pegar em armas virtuais para salvar os bichinhos com um clique no mouse. É uma utopia, mas os sonhos não envelhecem.

O bom é que há a possibilidade de se indignar sem ficar zangado: basta compartilhar um texto em tom crítico ou uma imagem de um animal maltratado. Também enviei e-mails para governos de países da África, cobrando atitudes para melhorar o IDH chinfrim. Nem mesmo os líderes contemporâneos fizeram tanto. Aliás, como gostei desse texto, vou postar no meu perfil dando crédito para um cronista renomado, para ver se alguém lê.

(Piauí_66, março de 2012. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta os corretos e respectivos sinônimos para as palavras destacadas nas frases.

I. Um social da rede que pretende causar não pode olhar apenas para seu umbigo.

II. Modéstia à parte, creio que sou reconhecido – quiçá internacionalmente – pela ampla capacidade de mobilização em prol dos temas humanitários.

 

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