A afirmação de que existem momentos na história que precipitam e cristalizam tendências e soluções que são gestadas lentamente nas épocas anteriores é trivial. Estes “momentos”, quando o corte se faz com referência às grandes épocas históricas, podem durar décadas, como, por exemplo, quando se diz que a Revolução Francesa marcou o fim do Antigo Regime. Às vezes as mudanças são mais drásticas e rápidas, como ocorreu com os “dez dias que abalaram o mundo”, da Revolução Russa de 1917. Em outras circunstâncias, a marcha caprichosa da história — ou seja, a afirmação dos interesses políticos e econômicos de grupos e classes sociais em luta — faz-se mais lentamente e é entremeada por pequenos golpes palacianos, rebeliões localizadas e vaivéns que dificultam a percepção das novas linhas de força que estão a definir o contorno dos interesses dos grupos e classes envolvidos nas lutas
pelo sistema de dominação.
Fernando Henrique Cardoso. Dos governos militares a Prudentes – Campos Sales. In: Boris Fausto (diretor). História geral da civilização brasileira (III) – O Brasil republicano: estrutura de poder e economia (1889-1930). São Paulo: Difel, 1975, p.15 (com adaptações).
Considerando o texto acima e as múltiplas abordagens que ele suscita, julgue os itens de 43 a 47.
A Revolução Russa de 1917, referida no texto, levou os bolcheviques ao poder, sob a liderança de Lênin, e significou, naquele contexto histórico, a vitória de um modelo de organização da sociedade que se contrapunha ao capitalismo.