O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração
PESSOA, Fernando.
Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.
A repetição da palavra “dor” constitui a figura de linguagem anáfora.