Leia um trecho da crônica “Lembra-se”, de Ivan Angelo, para responder a questão.
Falar ao telefone era uma coisa discreta. Em aparelho público de esquina ou de corredor de shopping, falava-se baixo. Quando ligava de um posto da companhia telefônica, a pessoa fechava-se numa cabine. Trocavam-se palavras necessárias, pois dava trabalho deslocar-se até um aparelho.
Agora, na era do celular, todo mundo fala alto e até com espalhafato nas ruas, nos ônibus, nos corredores, nos restaurantes e, pela banalidade, os assuntos não despertam qualquer interesse.
Dava-se corda nos relógios. Era tranquilo caminhar pelas ruas à noite. Helicóptero não era transporte urbano. Motocicleta era diversão dos fins de semana. Os bancos lucravam bilhões e não cobravam mensalidade para você deixar seu dinheiro com eles. A corujinha da TV mandava as crianças para a cama às 9 da noite. Os jovens iam para os bares com livros debaixo do braço e parecia que liam, pois discutiam e se dividiam a respeito das ideias. Não havia hipótese de silicone. A escola era pública, a rua era pública, a saúde era pública, a opinião era pública. Privada era outra coisa. Havia garoa. O beijo era uma intimidade, não um espetáculo. Pizza não era coisa feia.
(Coleção Melhores Crônicas – Ivan Angelo. Seleção Humberto Werneck. Global editora, 2007. Adaptado)
O sinal indicativo de crase foi empregado corretamente na alternativa: