Magna Concursos
1067525 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: PICSIS
Orgão: SLMANDIC

Leia o texto.

Ilharga, osso, algumas vezes é tudo o que se tem.

Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.

E pensas maravilha quando pensas anca

Quando pensas virilha pensas gozo.

Mas tudo mais falece quando pensas tardança

E te despedes.

E quando pensas breve

Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano

Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha.

E quando pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas

Luta, ascese, e as mós vão triturando

Tua esmaltada garganta... Mas assim mesmo

Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...

Canta o começo e o fim. Como se fosse verdade

A esperança.

(HILST, Hilda. Cantares. São Paulo: Globo, 2002, p. 25.)

Acerca dos elementos linguísticos mobilizados no poema como recursos expressivos, são feitas as seguintes afirmações:

I. A fim de reforçar a metáfora central do corpo como “ilha”, esta palavra aparece repetida não apenas expressamente em dois versos, mas também sonora e graficamente dentro de outros vocábulos do texto.

II. No décimo verso, a oitava e última ocorrência da forma conjugada do verbo “pensar” introduz no texto o corte entre o devaneio e a ação, marcando a renúncia às exigências do corpo e a reação ao esmorecimento advindo da reflexão sobre a fugacidade da vida e os efeitos do tempo, em favor da expressão poética do canto.

III. Nos últimos versos do texto, a repetição do verbo “cantar”, conjugado na terceira pessoa do singular do Presente do Indicativo, cria um efeito de humanização e de autonomização da obra poética, apesar da condição de esfacelamento do sujeito lírico.

É correto o que se afirma APENAS em

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Vestibular de Medicina - Campus Araras

80 Questões