Para Michelle Perrot (2001), as mulheres não têm poder, têm poderes, já que poder, no singular, tem conotação política e designa basicamente a figura central, cardeal do Estado, que comumente se supõe masculina. No plural representa-se na sua multiplicidade de forma fragmentada, equivalente a influências difusas e periféricas, onde as mulheres têm sua representatividade. (PERROT, 2001, p. 167). Os estudos pós-coloniais e decoloniais surgem no meio acadêmico como um movimento epistemológico e político contra as situações de dominação e opressões diversas que se instauram na relação antagônica e hierárquica entre colonizador e colonizado e nos processos forjados sujeitos distintos e a hegemonia de um modelo de sujeito tomado como universal. Para o sociólogo peruano Aníbal Quijano (2005), a colonialidade é um sistema hierárquico de classificação dos saberes, locais e pessoas, que vai além dos processos históricos de colonização, pois perpetua uma lógica de “opressão e inferiorização do outro que não seja o homem heterossexual/branco/patriarcal/militar/capitalista/europeu” e repercute, na organização da sociedade, bem como em suas instituições, estruturas e subjetividades.
Tratar da questão de gênero, a partir da decolonialidade no ensino de História, significa: