Leia um trecho do romance Mar morto, de Jorge Amado, para responder às questões de números 01 a 04.
Os tios vinham vê-la, andavam mais prósperos agora, a quitanda crescia, o velho usava colete, a velha trazia verduras para Lívia. Diante da pobreza da casa, o tio torcia o nariz, dizia à Lívia que “esse negócio de saveiro não tem futuro”. Por que ela não conseguia que Guma se mudasse para a cidade, largasse o mar de uma vez? Podia, com o produto da venda do saveiro, entrar para sócio da quitanda. Ampliariam aquilo, fariam mesmo um armazém e poderiam até enriquecer e garantir o futuro para o menino que ia nascer. A tia acrescentava que outra coisa não se podia esperar de Guma se ele gostava realmente de Lívia como dizia. Lívia ouvia calada, no íntimo apoiava, gostaria que aquilo acontecesse.
Ela daria tudo para Guma deixar o cais. Bem sabia que um marinheiro dificilmente abandona seu saveiro, que quase nunca vai para outra vida, abandonando as águas. Quem nasce no mar, morre no mar. Por isso não falava com ele sobre o assunto. Mas seria uma solução para a sua vida. E ademais seu filho não nasceria no mar, não se sentiria ligado a ele.
E, quando os tios se iam, ela pensava em convencer o marido. Ele venderia o “Valente” (com muita pena, sem dúvida, até ela mesma tinha pena), iria se estabelecer com os tios. Ela não temeria mais. Fazia propósito de falar com ele, mas quando Guma chegava molhado do mar, ainda impregnado da viagem, ela desanimava, sentia que era impossível tirá-lo do mar. Teria o mesmo fim que as outras. Ficaria sem seu homem numa noite de temporal. E seu filho já estaria então acostumado com os barcos, com as canções do mar e os apitos dos navios...
(Jorge Amado. Mar morto. Editora Record, 1982. Adaptado)
De acordo com as informações do texto, é correto afirmar que Lívia