Magna Concursos
312331 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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FOLHA — Ao final do livro Olhar, Escutar, Ler, o senhor diz que, entre tribos ameríndias, havia “mulheres criadoras” inspiradas pelos deuses. Uma ideia semelhante à noção romântica do gênio artístico, à forma como vemos os artistas e a arte nas sociedades ocidentais. O senhor acha que essa noção ocidental da arte existia já entre os povos ameríndios?

LÉVI-STRAUSS — Não podemos generalizar os ameríndios. As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós.
Essa ideia existia incontestavelmente entre certos grupos. Particularmente nas sociedades da costa oeste do Canadá, que eram um pouco à parte, por terem sido fortemente hierarquizadas do ponto de vista não apenas social, mas também econômico. Havia nobres, pessoas comuns, escravos, ricos e pobres. Para esses ricos, os artistas não eram muito diferentes do que haviam sido na Itália durante o Renascimento e mesmo em contextos mais próximos de nós. Mas não podemos generalizar. Se você escolhe, por exemplo, os tinglit, do Alasca, e os tsimshian, da Colúmbia Britânica, os primeiros consideravam, com razão, que os segundos eram grandes artistas. Faziam encomendas de esculturas aos tsimshian, que iam até os tinglit para construir monumentos.

Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).

Considerando a estrutura do texto e os significados desse fragmento de entrevista com o filósofo Lévi-Strauss, julgue o item.

Tanto na fala do entrevistador quanto na de Lévi-Strauss, está implícita a tese de que é justificável o estabelecimento de hierarquias entre
diferentes culturas, de forma a que se julgue determinada cultura como superior a outras.

 

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