Texto para esta questão.
Grito Negro
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
(CRAVEIRINHA, José. Grito negro. In: ANDRADE, Mário de (Org.). Antologia temática de poesia africana. 3. ed. Lisboa: Instituto Cabo-verdiano do Livro, 1980, v. 1. p. 180.)
O poema “Grito negro”, do principal escritor africano de língua portuguesa: