Magna Concursos
2528838 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: Câm. Estreito-MA
Provas:
A QUESTÃO A SEGUIR ESTÁ RELACIONADA AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
Nunca se criticou tanto e tão acidamente a educação brasileira quanto agora. E merecidamente, pois é péssima. E, para que ela se mova, ainda é pouco o que criticamos. Mas não podemos perder a perspectiva histórica. Nunca tivemos uma educação tão vibrante e em tão rápida transformação. Vamos entender o paradoxo. Nossa educação é ruim porque sofreu quatro séculos e meio de abandono. Foi nos últimos cinquenta anos que tudo começou a acontecer. E, obviamente, é pouco tempo para recuperar os séculos perdidos e para evitar os solavancos e as incompetências do crescimento açodado.
O desleixo passado nos deixa sequelas muito mais graves do que aquelas geradas pelas trapalhadas das décadas recentes.
Ouvimos muitas lamúrias sobre o vácuo educacional, após a expulsão dos jesuítas. De fato, a cidade de São Paulo ficou sem escolas formais por 43 anos. Mas, enquanto funcionaram, seus colégios cobriam apenas 0,1% da população.
Nossa educação era compatível com a mediocridade intelectual da época. Mesmo a educação das elites era débil e improvisada. No dizer de Bastos Ávila, era "um ensino de inutilidades ornamentais". O que havia era uma educação péssima para as elites e quase nada para os demais. Pergunta o visitante John Luckoc: "O que pode ensinar quem nada sabe?... Não havia outro meio, portanto, senão permitir que as crianças crescessem selvagens, em meio a uma chusma de escravos e vagabundos da pior espécie com quem testemunham e aprendem a praticar todas as vilanias de que sua tenra idade era capaz".
O professor ensinava a um aluno de cada vez, era tudo o que ele sabia fazer. Como resultado, os outros ficavam inquietos e indisciplinados, gerando a necessidade da palmatória. Não havia seriação. Os alunos podiam entrar e sair da escola em qualquer período do ano. Da mesma forma, não havia a "grade curricular". A Aritmética não era lecionada simultaneamente ao Português, e a leitura e a escrita eram ensinadas em separado. Durante todo o Império, não houve prédios escolares em São Paulo nem móveis didáticos. Em Ubatuba, por exemplo, os alunos tinham de estudar em pé.
Em suma, a principal razão do atraso de hoje é o início tardio, pois as escolas só começaram a tomar alguma consistência no século XX. Portanto, nosso retardo educativo vem menos do que fizemos mal nas últimas décadas e mais do não feito nos quatro séculos precedentes. Mas a nós, tataranetos, não se permite complacência. Justamente por estarmos tão atrasados, temos de recuperar o tempo perdido.
CASTRO, Cláudio de Moura. A culpa é do tataravô. Veja. Adaptado.
No quarto parágrafo, o autor
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Advogado

40 Questões

Analista de Sistemas

40 Questões

Contador

40 Questões

Técnico Legislativo

40 Questões