O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Usaram minha imagem em vídeo falso com IA para
vender chá milagroso
O vídeo diz tudo ao contrário do que Tânia Carvalho
defende. O rosto, o quarto, as pernas, a voz parecem ser
dela, mas a mensagem é algo que ela nunca
promoveria. "Eu tenho lipedema, e eu já estava no grau
dois. Eu lhe contarei como eu saí disso aqui, para esse
resultado maravilhoso em apenas sete dias", diz o vídeo
disponível como anúncios no Instagram. Nas imagens,
um antes e depois das pernas de Tânia.
Lipedema é uma doença que vem sendo descoberta nos
últimos anos. Ela causa acúmulo de gordura nas pernas
e braços de aproximadamente dez por cento das
mulheres em todo o mundo. Os nódulos se assemelham a celulite e causam dor.
O vídeo falso continua até começar a promover um
milagroso chá especial.
"Eu só precisava tomá-lo toda manhã durante sete dias",
diz no vídeo a falsa Tânia.
"O chá agirá na sua corrente sanguínea, liberando toda a
gordura adiposa, tecidos inflamados e retenção de
líquidos."
Não há qualquer comprovação de que um chá possa
fazer tal efeito. E Tânia sabe bem disso.
Há pouco tempo, a carioca de trinta e um anos começou
a compartilhar sua rotina após ser diagnosticada com
lipedema, na intenção de reunir mulheres que sofrem
com o mesmo problema.
Ela se preparava para fazer uma cirurgia de
lipoaspiração específica para retirar as células de
gordura afetadas pela doença e queria compartilhar seu
pós-operatório.
No processo de descoberta e cuidado, a carioca
aprendeu que o tratamento de lipedema é um processo
multidisciplinar, envolvendo exercícios, alimentação,
tratamentos.
Ou seja, nada de um chá milagroso.
No vídeo verdadeiro, inclusive, Tânia justamente
defende que não é só fazer alguma coisa que terá
resultado", contando que seu tratamento envolveu a
intervenção cirúrgica.
"Tudo é muito mais complexo do que malhar um ano, há
muitos fatores, como hormonal e idade. A doença não é
tão simples quanto parece", explicou no vídeo para as
seguidoras.
Os vídeos de Tânia chamaram a atenção no Instagram e
acabaram reunindo uma pequena comunidade de
mulheres. Na rede social, em março de 2025, eram
pouco mais de seis mil seguidoras.
Mas o tamanho da conta não impediu que Tânia acabasse sendo vítima do chamado "deepfake", um
vídeo com sua imagem criado por uma inteligência
artificial (IA) baseado em sua voz, gestos e expressões
faciais.
Há plataformas online que oferecem com facilidade a
criação desse tipo de conteúdo, também conhecido
como mídia sintética.
Pessoas famosas já foram vítimas desse tipo de vídeo
há algum tempo. A imagem do médico Drauzio Varella,
por exemplo, tem sido usada em vídeos que promovem
tratamentos especiais ou medicamentos para resolver
problemas de saúde. Todos falsos.
Celebridades como a cantora Ivete Sangalo e as
apresentadoras Ana Maria Braga e Xuxa também já
foram vítimas.
Mas o caso como o de Tânia chama atenção por ser de
uma pessoa com pouca visibilidade. Ou seja, a maioria
das pessoas que viu o anúncio provavelmente não sabe
reconhecer como ela fala originalmente ou como ela
pensa.
Também é sinal de que muitas pessoas podem ter suas
imagens usadas sem nem saber.
Até a publicação dessa reportagem, o anúncio seguia
disponível, apesar da denúncia de Tânia ao Instagram. A
usuária recebeu uma mensagem que diz que o vídeo
"segue os padrões da comunidade".
Em nota à BBC News Brasil, a Meta, dona do Instagram,
apenas afirmou que "atividades que tenham como
objetivo enganar, fraudar ou explorar terceiros não são
permitidas", orientando pessoas a denunciarem na
plataforma — algo que Tânia diz já ter feito. A empresa
não proferiu se vai tirar o conteúdo do ar.
Tânia diz ainda não saber se prosseguirá com alguma
ação judicial, já que isso demandaria energia e dinheiro.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn89pzxqjn3o.adaptado.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Advogado - Jurídico
60 Questões
Especialista de Petróleo e Gás - Petrofísica
60 Questões