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Leia atentamente o poema Amar, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1951, para responder às questões de 1 a 3.


AMAR


Que pode uma criatura senão,

Entre criaturas, amar?

Amar e esquecer,

Amar e malamar,

Amar, desamar, amar?

Sempre, e até de olhos vidrados, amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,

Sozinho, em rotação universal, senão

Rodar também, e amar?

Amar o que o mar traz à praia,

O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto,

O que é entrega ou adoração expectante,

E amar o inóspito, o áspero,

Um vaso sem flor, um chão de ferro,

E o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.


Este o nosso destino: amor sem conta,

Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

E na concha vazia do amor a procura medrosa,

Paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

Amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Leia atentamente as afirmações a seguir:

I – Para o eu-lírico, amar é um ato linear.

II – Na terceira estrofe, os objetos da ação “amar” são elementos vazios, ou sem vida ou violentos.

III – No poema, o amor se apresenta em “concha vazia”, retratando a capacidade de saciar a carência do eu-lírico.

É (São) incorreta(s) a(s) afirmação(ões):

 

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