[...] A existência de um regime democrático é condição suficiente para a redução das desigualdades sociais? Sem surpresa, a ciência política apresenta [...] respostas divergentes para essa pergunta. [...] para esse debate, com base no exame da trajetória brasileira no período democrático contemporâneo [...] uma questão controversa precisa ser enfrentada: a desigualdade no Brasil caiu vertiginosamente ou permaneceu estável nos últimos trinta anos? [...] Fato é que há muitas maneiras de observar a desigualdade. Essas divergências entre os economistas são explicadas pelo conceito e pela medida de desigualdade. A desigualdade de renda é estável se incluirmos a renda proveniente de ativos financeiros e da propriedade no cômputo da renda total e se compreendermos os registros tributários como fonte de informação. A desigualdade de renda cai se observamos apenas os dados dos surveys domiciliares. A depender dessas escolhas, nossas inferências podem apontar em direções opostas.
Adaptado de: ARRETCHE, Marta. Democracia e redução da desigualdade econômica no Brasil: a inclusão dos outsiders. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 33, n. 96, 2018.
O tema das desigualdades sociais no Brasil permanece controverso, tendo em vista a variedade de conclusões a que chegam estudiosos das políticas públicas. A argumentação acima sobre este fato dispõe que