Texto.
Crítico severo da venalidade oficial, Padre Vieira, consultado por dom João IV sobre a conveniência de haver no Maranhão e Grão-Pará dois capitães-mores, disparou em resposta: “Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso será de achar dois homens de bem que um”. Nos sermões tampouco deixava de denunciar a corrupção: “Se o que elegestes furta (não o ponhamos em condicional, porque claro está que há de furtar), furta o que elegestes, e furta por si e por todos os seus”. Uma autoridade, afirmava, jamais devia ser empossada em lugar “onde se aproveite e nos arruíne; onde se enriqueça a si e deixe pobre o Estado”.
Emanuel Araújo. O teatro dos vícios: transgressão e transigência na sociedade
urbana colonial. Rio de Janeiro: José Olympio,1977, 2.ª ed., p. 291 (com adaptações).
A partir das idéias e de aspectos morfossintáticos do texto, julgue o seguinte item.
Os versos seguintes, escritos por Tomás Antônio Gonzaga, sobre os cobradores e devedores de impostos no Brasil colonial, fazem parte dos atos relacionados à venalidade.
(...)
aquele que não quer propor demandas,
promete-lhe a metade, ou mais ainda,
das somas que lhe entrega, e ele as cobra,
fingindo que as tomou em pagamento,
das dívidas do rei.
aquele que não quer propor demandas,
promete-lhe a metade, ou mais ainda,
das somas que lhe entrega, e ele as cobra,
fingindo que as tomou em pagamento,
das dívidas do rei.
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