Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.
A aldeia era cinzenta e triste. À volta dela apenas montes e bosques, nuvens e vento. Não havia outras aldeias nas redondezas. Quase nunca chegavam forasteiros, nem sequer visitantes ocasionais. Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive, no vale fechado e rodeado por montes íngremes. Somente a oeste havia uma abertura estreita entre as montanhas, e por essa abertura passava o único caminho que levava à aldeia, mas não ia adiante. Porque não havia nenhum adiante: ali terminava o mundo.
Vez por outra aparecia um vendedor ambulante, ou algum artesão, ou simplesmente algum mendigo perdido. Mas nenhum peregrino permanecia mais que duas noites, porque a aldeia era amaldiçoada: um estranho silêncio pairava sempre ali, nenhuma vaca mugia, nenhum burro zurrava, nenhum pássaro chilreava, nenhum grupo de gansos selvagens cortava o céu vazio, tampouco os aldeões falavam entre si, só o estritamente necessário. Apenas o som do rio se ouvia sempre, dia e noite, pois um rio caudaloso corria entre os bosques nos montes. Com uma espuma branca nas margens, esse rio cortava a aldeia todinha, agitado, borbulhante, produzindo um ruído parecido com um suspiro baixo, e prosseguia sendo tragado entre as curvas dos vales e bosques.
(Amós Oz. De repente, nas profundezas do bosque. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)
As expressões em destaque nos trechos − Trinta, talvez quarenta casas pequenas se espalhavam ao longo do declive – e − Vez por outra aparecia um vendedor ambulante... − apresentam, respectivamente, as circunstâncias de