Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.
Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir .
No trecho apresentado, o narrador é onisciente, como se pode verificar, por exemplo, em “Sempre houve”, e a narrativa se constrói em terceira pessoa, como evidencia o segmento “Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou”.