Leitor de e-book lê mais. E aí?
Raquel Cozer
Dias atrás, em entrevista a um documentário universitário sobre mídias digitais, fui questionada sobre a possibilidade de os e-readers estimularem a leitura. Respondi que não acredito muito nisso. Acho que quem lê em e-readers é quem já lia muito antes em papel, já que quem não tem o costume de ler não teria interesse em comprar um e-reader, e quem lê pouco e compra um tablet o usa mais para outras coisas.
Mas disse acreditar que os e-readers ao menos estimulam a compra de livros por impulso, o que pode ser mais benéfico para as editoras do que para o leitor, na verdade, já que boa parte daqueles livros digitais permanecerá tão intocada quanto ficaria numa livraria.
Nem uma semana depois da entrevista, saiu um infográfico sobre o assunto no Good.is, partindo do fato de que um em cada dez americanos já tem e-reader para questionar como isso mudou os hábitos de leitura.
Segundo a pesquisa, quem tem e-reader compra mais livros. Dois em cada três donos de leitores eletrônicos compram seis ou mais livros por ano, enquanto mais ou menos a mesma parcela dos que não têm e-reader compram no máximo cinco livros por ano.
A parte que dá mais o que pensar é a que diz respeito à leitura. Diz o texto: "Donos de e-readers leem mais livros, na média, que aqueles que leem no papel. A maioria dos que usam e-readers lê mais de dez livros por ano, ante apenas 38% daqueles que leem livros tradicionais".
À primeira vista, pode levar à conclusão de que o digital estimula a leitura, mas isso também pode ser entendido de outra forma. Se 10% dos americanos têm hoje um e-reader, você pode desconfiar de que são os 10% que mais gostam de ler. Talvez melhor fosse perguntar se quando liam só em papel eles liam esse tanto, ou se o tempo dedicado à leitura aumentou depois que passaram a ler em e-reader.
Outra coisa é que uma pesquisa sobre quantos livros alguém lê por ano nunca será muito precisa. Eu não sei quantos livros leio ao ano, ainda que o fato de trabalhar com isso facilite uma estimativa. Será mesmo que mais de 20% dos americanos lê mais de 21 livros por ano? Isso daria pelo menos um livro a cada duas semanas e meia (na média, segundo mapeamentos mais amplos, os americanos leem em média 5,1 livros ao ano, ante 4,7 no Brasil, onde o crescimento nesses índices foi de 150% nos últimos dez anos).
De todo modo, vale destacar o crescimento da leitura em mídias digitais nos EUA, que foi quem abriu essas porteiras – e que, embora esteja muito à frente dos outros países, pode servir de parâmetro para o crescimento da leitura digital nos próximos anos no mundo.
Na visita ao Brasil, na semana passada, o diretor de parcerias (etc etc, é um cargo enorme) do Google, Tom Turvey, trouxe um número interessante: hoje, 23% dos livros vendidos nos USA são digitais. Em 2008, esse número correspondia a 0,5% (que deve ser mais ou menos como é hoje no Brasil). Em 2010, tinha chegado a 6,5%. O crescimento desde então não deixa de ser impressionante.
Disponível em: <http://abibliotecaderaquel.folha.blog.uol.com.br/>
O artigo de Raquel Cozer, assim como todo texto, apresenta, além de uma função sociodiscursiva, algumas características de construção. Sobre essa construção, é correto afirmar-se que
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Assistente Social
60 Questões
Auditor
59 Questões
Enfermeiro
60 Questões
Engenheiro
60 Questões
Médico
60 Questões
Nutricionista
60 Questões
Profissional de Relações Públicas
60 Questões
Programador Visual
60 Questões
Psicólogo
60 Questões