BELO BELO
Belo Belo Belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo — que foi? passou —
[de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.
No poema, o eu lírico desenvolve, através de várias imagens, a ideia resumida no último verso.
Considerando as imagens contidas nos versos a seguir, aquele que mantém uma relação mais estreita com o último verso é