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2876141 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UEMA
Orgão: UEMA
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METONÍMIA, OU A VINGANÇA DO ENGANADO

Metonímia – a palavra me ficou na memória desde o ano de 1930, quando publiquei o meu livro de estreia, aquele romance de seca chamado O Quinze. Um crítico, examinando a obrinha, censurava-me porque, em certo trecho da história, eu falava que o galã saíra a andar “com o peito entreaberto na blusa”. “Que disparate é esse?”, indagava o sensato homem. “Deve - se dizer é: blusa entreaberta no peito”. Aceitei a correção com humildade e acanhamento, mas aí o meu ilustre professor de Latim, Dr. Matos Peixoto, acudiu em meu consolo. Que estava direito como eu escrevera; que na minha frase eu utilizara uma figura de retórica, a chamada metonímia – tropo que consiste em transladar-se a palavra do seu sentido natural da causa para o efeito, ou do continente para o conteúdo. E citava o exemplo clássico: “taça espumante” – continente pelo conteúdo, pois não é a taça que espuma e sim o vinho. Assim sendo, “peito entreaberto” estava certo, era um simples emprego de metonímia. E juntos, numa nota de jornal, meu mestre e eu silenciamos o crítico. Não sei se o zoilo aprendeu a lição. Eu fui que a não esqueci mais. Volta e meia lá aplico a metonímia - acho mesmo que é ela a minha única ligação com a velha retórica.

QUEIROZ, Raquel. Cenas Brasileiras. São Paulo: Editora Ática, 1998. Volume 17. Crônicas.

Na construção do texto, predomina o discurso indireto, no qual as falas dos personagens são apresentadas pelo narrador. O único trecho em que é reproduzida exatamente a fala de um personagem é:

 

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