Leia agora o texto abaixo, início da crônica “Quem cria o criador?”, de Affonso Romano de Sant’Anna, extraído do livro A Cegueira e o Saber (p. 132), para responder à questão, elaboradas a partir dele:
Armando Strozenberg – presidente da Associação Brasileira de Propaganda – me dizia que existem mecanismos para se saber, no mesmo dia, se as pessoas estão (ou não) absorvendo os anúncios lançados na mídia e que há como medir quais notícias e matérias nos jornais são preferencialmente lidas. Isto é equivalente ao ibope monitorado pela televisão, capaz de anotar, minuto a minuto, o que espectador está preferindo ver. É de se supor, portanto, que existe uma pesquisa científica do gosto e do hábito. E como vivemos na sociedade do consumo, os produtores creem estar satisfazendo o gosto e as necessidades da audiência. Agindo assim se dispensam até de ter remorsos.
Só que estudos têm sido feitos para se demonstrar que o gosto, o hábito e as preferências são também inoculados e disseminados. E como vivemos numa cultura espetacular e especular acabamos tomando como verdadeira, autêntica e concreta a imagem que projetamos, como ilustram filmes tipo Matrix. Não faltam, aliás, estudos considerando a sociedade virtual como prisioneira de um jogo de espelhos, onde já não se sabe quem reflete quem ou o quê.
Segundo o que o texto sugere, nossas preferências não são nossas, mas ditadas por poderosos mecanismos de persuasão utilizados pela mídia.