“Chegou em casa exausta, cheia de sacolas, de dor de cabeça, morta de calor, faminta, caótica, e com um firme propósito: tomar banho e cair na cama. (...)
(...)
— Esse jantar sai hoje ou não?
Esquece o banho.
— Sopa de novo?
(...)
— Por que eu não tenho copo?
Palpitação moderada. Coisa controlável. Foi buscar o copo.
— Aproveita que tá na cozinha e frita um ovo para mim? Claro. Fritar ovo inclusive é uma ótima terapia ocupacional para quem já passou por dois engarrafamentos, banco, pediatra, ginástica, supermercado, uma papelaria entupida de mães comprando material escolar e cinco reuniões de trabalho. Normal.
— Você não sabe que eu só gosto de gema mole?
Teve uma leve síncope nervosa, mas conseguiu se controlar. Afinal, a culpa era dela. Como podia ter cometido um erro tão grave? Era óbvio que a mais velha e a do meio gostavam de gema mole (muito sal para a primeira, pouco sal para a segunda), a menor preferia ovo mexido (sal no ponto), o marido não suportava gema... Ou não suportava clara? Quem gostava de omelete? Qual das crianças teve sarampo? Quem foi que quebrou a perna?
(Falcão, Adriana. Um dia de mãe. Em O doido da garrafa. São Paulo; planeta, 2003, p. 35-37, Trecho)
Assinale a alternativa que exemplifica o discurso indireto livre: