Considere o texto a seguir.
O abate seletivo pode ter consequências para os elefantes. Graeme Shannon e Karen McComb, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, constataram que a prática, que envolve a matança de espécimes idosos e o deslocamento dos mais jovens, tem efeito no comportamento social dos animais sobreviventes.
As autoridades sul-africanas recorreram ao abate seletivo para controlar a população de paquiderme entre 1965 e 1995. Para avaliar o efeito dessa política, Shannon e McComb visitaram famílias de animais no Parque Nacional Pilanesberg. E foram ao Parque Nacional Amboseli, no Quênia, onde não ocorreu tal seleção. Eles tocaram gravações com chamadas de elefantes que eram conhecidos e desconhecidos uns para os outros, de várias faixas etárias. Os elefantes do Amboseli reagiram de modo previsível: agrupados e atentos quando ouviam ameaças graves, mas descontraídos quando os chamados indicavam ameaças menores. Já os de Pilanesberg reagiram de modo anormal, não se notando conexão evidente entre o nível de ameaça e a reação dos animais.
Os ecologistas atribuem reações anormais tanto ao trauma inicial como à perda do papel exemplar desempenhado pelos mais velhos – um efeito danoso do abate seletivo. “Aspectos fundamentais do complexo comportamento social dos elefantes podem sofrer alterações significativas a longo prazo”, diz o estudo. E, como os elefantes transferem seus conhecimentos, esse comportamento anormal pode ser passado às gerações seguintes.
SMITH, Lindsay N. Trauma de elefante. National Geographic, dez. 2014. São Paulo: Editora Abril. p. 12-13 (grifo acrescentado)
A expressão que pode ser acrescida para explicitar a relação de sentido existente entre o primeiro período (Os ecologistas... seletivo.) e o segundo (“Aspectos fundamentais... diz o estudo.”.) do trecho em destaque no texto é: