Magna Concursos
2705613 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: MRE
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Soy loco por ti, América

“A interpretação da nossa realidade com esquemas alheios só contribui para tornar-nos cada vez mais desconhecidos, cada vez menos livres, cada vez mais solitários.” Fomos “descobertos” ou reinventados pelos colonizadores, que impuseram o sentido que mais lhes convinha à nossa história. “Insistem em medir-nos com o metro que se medem a si mesmos” e assim se consideram “civilizados” e a nós, “bárbaros”. Não se dão conta de que “os estragos da vida são iguais para todos” e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. Talvez os ex-colonizadores — hoje imperialistas — fossem mais compreensivos conosco — os “bárbaros” —, se olhassem melhor para o seu próprio passado, sem a mistificação com que o envolveram antes de exportá-lo para nós.

A América Latina e o Caribe reivindicam o direito de ter uma história própria, assim como temos uma cultura e um esporte próprios — tão admirados por eles. “A solidariedade com nossos sonhos não nos fará sentir menos solitários, enquanto não se concretize com atos de apoio legítimo aos povos que assumam a ilusão de ter uma vida própria na divisão do mundo.”

“Por que a originalidade que nos é admitida, sem reservas na literatura, nos é negada com todo tipo de suspeitas em nossas tão difíceis tentativas de transformação social, que os colonizadores tiveram tanta dificuldade — eles também — para encontrar e, ainda assim, com defeitos, que cada vez mais ficam evidentes? Por que nos condenar a viver “como se não fosse possível outro destino senão o de viver à mercê dos grandes donos do mundo? Este é, amigos, o tamanho da nossa solidão.”

A Vila Isabel desfilou este ano, na passarela do Sambódromo, com o tema Soy loco por ti, América, originalmente na música de Capinam e de Gil, reatualizando as citações do discurso com que García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 8 de dezembro de 1982 –— já lá vai um quarto de século.

Emir Sader. Jornal do Brasil, 26/2/2006 (com adaptações).

Com referência ao texto “Soy loco por ti, América”, julgue o item seguinte.

A expressão “à nossa história” é complemento do verbo impor, e, nela, é facultativo o emprego do acento indicativo da crase.

 

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