Texto I
Envelhecimento, pobreza e proteção social na América Latina
O processo de envelhecimento populacional, no seu
primeiro estágio, resulta em um aumento, pelo menos
relativo, da oferta da força de trabalho. Nas etapas
posteriores, a proporção desse grupo no total da população
diminui e, eventualmente, diminuirá em termos absolutos,
como é a situação atual do Japão e de vários países europeus.
Por outro lado, o segmento com idade avançada passa a ser
o que mais cresce. Esse crescimento acentuado do segmento
que demanda maiores recursos monetários e cuidados
humanos, afetivos e psicológicos, em face da redução do
contingente populacional em idade ativa, fez com que o
envelhecimento populacional entrasse na agenda das
políticas públicas pelo lado negativo, ou seja, ele é visto
como “um problema”.
A. A. Camarano e M.T. Pasinato. Texto para discussão. Brasília: IPEA, 2007.
Texto II
Os impactos sociais da velhice
IdadeAtiva — No caso da previdência, os idosos são o
grande problema?
Ana Amélia Camarano — Eu acho que esse é outro
engano. Claro que você tem mais gente idosa e gente
vivendo mais. Agora, o que acontece é que o nosso modelo
de previdência é o mesmo da Europa Ocidental, dos EUA,
modelos desenhados no pós-guerra, quando havia emprego,
as pessoas se aposentavam e ficavam pouco tempo
aposentadas porque morriam logo. Então, esse modelo está
falido. Esse cenário mudou. Nós não estamos mais no mundo
do trabalho estável, não temos mais o pleno emprego e as
relações de trabalho hoje passam pela flexibilização. E a tão
falada flexibilização significa informalização. A nossa
política social é toda ligada ao trabalho. A Constituição de
1988 mudou um pouco, mas até então só tinha direito ao
benefício da previdência quem trabalhava. Era uma
cidadania ligada ao trabalho e, não, ao benefício do
trabalhador. E isso não é mais possível. Nós estamos
caminhando para um mundo sem trabalho.
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Com relação aos textos I e II, julgue os itens que se seguem.