A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete à Estilística. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos é possível retirar dela, mas é a Estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. Isso faz com que recursos retóricos pertençam ao campo estilístico. Por ser normativa, a Estilística é vista com má fama por alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma consequente, pois ela não é, em essência, ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos, o que pode ser observado nas regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar essa tarefa dos virtuoses, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Ou seja, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças até de efeito cômico que a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna: o jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.
Enquanto forma de estudo da literatura, é possível dizer que a Estilística existe desde os estudos retóricos de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, que viam no estilo a melhor forma de adornar o pensamento. Este pressuposto prevaleceu até o Renascimento e conduziu, inclusive, a várias tentativas de codificação dos artifícios literários. Neste sentido, a Estilística foi até o século XX uma espécie de ciência exata capaz de fornecer os dados técnicos necessários à produção de um discurso literário.
Não existe, a rigor, distinção clara entre a Retórica e a Estilística, porque o que importava era a apreciação de um estilo individual, por exemplo, como nos códigos medievais, que distinguiam os estilos entre sublime, médio e simples, e não a interpretação ou análise literária das características da expressão linguística individual, mas apenas um inventário dos recursos obtidos pela linguagem num dado contexto.
A rapidez da interação virtual exige novas formas de adaptação e de registro, o que não deve ser considerado como uma maldição que se abateu sobre a linguagem culta. A língua é um bem social, ela promove a inserção do indivíduo no grupo e na comunidade à qual pertence. Por ser mecanismo de construção cultural, a linguagem muda e se adapta ao contexto histórico, político e tecnológico.
Não dominar os novos mecanismos de escrita que se apresentam na internet é não conseguir interagir satisfatoriamente, é perder o tempo da fala e não participar da ideia que em alguns segundos passado no universo virtual. Partindo do pressuposto de que a criança e o adolescente estão inseridos no contexto atual, é natural que surja um novo tipo de linguagem e de comunicação.
Talvez seja pedantismo afirmar que só os cânones da língua têm traço estilístico. O mecanismo linguístico se adapta às necessidades dos falantes e também à época. Há quem que a internet tem corrompido linguisticamente os jovens, como se a nova linguagem fosse um vício, mas o que não tem sido levado em consideração é que, em vez de embotar habilidades e competências de leitura e de escrita, o chamado “internetês” exige dos jovens o domínio de várias habilidades, como manusear rapidamente um teclado, pensar de forma rápida e objetiva para dar a resposta precisa à pergunta feita, criar um código de comunicação para que se interaja em um mínimo de tempo e, sobretudo, conseguir que a comunicação se faça dentro do assunto discutido.
A resistência às mudanças e àquilo que é considerado novo sempre existiu. O preconceito travestido de tradicionalismo também é uma constante. É por demais ignorância avaliar essa conduta linguística como algo irremediavelmente nocivo e não entender as necessidades de uma geração tecnológica. A resposta do comportamento radical contra o “internetês” por parte de pais e professores é compreensível e bem ilustrada na fala de um pai de uma criança de cinco anos. O pai, ao comprar um celular moderno, teve problemas para fazê-lo funcionar. A filha de cinco anos pediu que a tentar e em menos de dez minutos explicou toda a configuração do aparelho ao pai atônito. Como cobrar dos jovens que eles retrocedam?
Há uma solução para esse impasse conflituoso entre gerações: é necessário educar conscientizando. Explicar que, tal qual na fala, existe ambiente para se utilizar a nova linguagem virtual. Assim como não é apropriado redigir uma dissertação com elementos da fala coloquial, também não são aceitáveis abreviações e expressões do mundo virtual no texto acadêmico.
Adaptado de: MAGI, L. S. Estilística e a evolução escrita. Disponível em: <http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/49/artigo327754-2.asp>. Acesso em: 17 out. 2014.
Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as seguintes classificações de orações do texto.
( ) que efeitos é possível retirar dela: subordinada substantiva predicativa
( ) já que nem todos diferenciam uma da outra: subordinada adverbial causal
( ) que é escrito a muitas mãos: coordenada assindética explicativa
( ) que a comunicação se faça dentro do assunto discutido: subordinada substantiva objetiva direta
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é