Magna Concursos
1335750 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: IF-RN
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Considerações sobre a leitura
Miriam Mambrini
Por que o brasileiro lê tão pouco? A primeira resposta costuma ser: porque o livro é caro. Ora, esse argumento só é válido em parte. Não é preciso comprar um livro para lê-lo. Ele está disponível em bibliotecas públicas, onde ninguém precisa pagar. Pode-se também pedir livros emprestados a amigos ou comprá-los por muito pouco num sebo. O brasileiro não lê porque não tem o hábito de ler, não gosta de ler.
Se recuássemos no tempo um século, três quartos de século, encontraríamos um número significativo de leitores em nosso país. Hoje, o computador, a televisão, o cinema, o esporte e a agitação da vida moderna jogaram a leitura para o último plano na opção de lazer. Isso sem falar no apelo irresistível do sol, no calor de nosso país tropical, que convida as 9 pessoas para as praias e as atividades ao ar livre.
Festas literárias, feiras e encontros vêm contribuindo para divulgar livros e autores. Ainda assim, sua repercussão não extrapola muito o pequeno círculo dos profissionais do livro. Atinge, quando muito, uns poucos aficionados de um ou outro escritor consagrado, ou simplesmente curiosos em busca de um programa diferente.
As escolas vêm se esforçando para despertar o gosto da leitura nas crianças e formar futuros leitores. Pesquisas revelam que têm alcançado êxito com os pequenos. Eles gostam de ler e leem um número razoável de livros, mas não se tornam leitores por toda a vida. Aos 12 anos, o interesse decresce, e os adolescentes, na sua grande maioria, consideram a leitura um dever maçante. Se, paralelamente à escola, houvesse o estímulo da família, e, sobretudo, o exemplo da família, talvez o quadro fosse outro e o esforço inicial não se perdesse. Mas os adultos, que também leem pouco, quando leem, não podem dar o exemplo.
Ficamos restritos a um número muito pequeno de pessoas que se interessam verdadeiramente pelos livros e, em particular, pelos de literatura. Se os leitores são poucos, os livros são muitos. Os lançamentos chegam às livrarias como um tsunami literário, deixando os livreiros às voltas com o sério problema de expô-los. Como os best-sellers e os livros de autoajuda, estrangeiros na sua maioria, são uma aposta certa, acabam por inundar as bancadas mais visíveis, empurrando a produção literária nacional para um canto escondido. São esses livros, já aprovados em outros países e frequentadores constantes da lista dos mais vendidos, que se compram para presentear amigos. A eles, podem-se juntar os escritos por celebridades, que têm lugar garantido na mídia.
[...]
Disponível em: <http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?
codigo=343&titulo=Consideracoes_sobre_a_leitura.> Acesso em 02 jul. 2011. [Adaptado]
A expressão “às voltas com” tem valor de
 

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