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1513251 Ano: 2018
Disciplina: Sociologia
Banca: Instituto Acesso
Orgão: SEDUC-AM
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Em seu conhecido texto "As ideias fora do lugar", Roberto Schwarz esboçou o que seria uma das mais originais críticas ao liberalismo à brasileira, tanto mais porque, ao contrário das críticas reacionárias e/ou conservadoras propaladas até então, sua abordagem se pretendia "progressista" e, no limite, anticapitalista. Para o autor, o liberalismo instaurou-se no Brasil, no século XIX, adaptando-se a uma realidade social e econômica que em tese desmentia as "ideias liberais", marcada que estava pelo escravismo, pela "mediação quase universal" do favor e, portanto, pela pessoalidade dependente. É nesse sentido específico que o crítico afirmou ser o liberalismo brasileiro, no século XIX, uma "ideia fora do lugar", não para proclamar uma incompatibilidade absoluta entre realidade brasileira e ideário liberal, mas para apreender a forma concreta em que este se materializava num país como o Brasil. Absorvido e deslocado pelo favor, o liberalismo se agregava como um elemento entre outros do "padrão particular" de dominação aqui vigente, baseado na combinação perversa entre o arbítrio e a "racionalidade" dos dominantes, em detrimento dos dominados, que se viam submetidos a um tipo singular de superexploração e de ausência dos meios de contestá-la. Essa alternância entre razão e arbítrio, norma e infração, conferia às classes dominantes uma enorme margem de manobra, que lhes permitia maximizar os efeitos da dominação - movimento que Machado de Assis formalizaria com maestria por meio da figura do narrador em seus romances da segunda fase, como demonstrou Schwarz em Um mestre na periferia do capitalismo (1990)".
(QUERIDO, F.M. Liberal-conservadorismo à brasileira. In: Le Monde Diplomatique Brasil, julho, 2016, adaptado).
Com base na abordagem que o texto faz sobre o liberalismo, assinale a opção correta:
 

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Professor - Sociologia

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