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1426455 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFPB
Orgão: UFPB
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Antioxidantes, vitaminas, vinho... O que ajuda a prevenir doenças cardíacas

A lista de suplementos “milagrosos” é grande, mas a maioria não traz qualquer

benefício à saúde. Alguns podem até prejudicá-la.

Milhões de pessoas em todo o mundo cumprem um rigoroso ritual todos os dias:

ingerem suas doses de vitaminas E, A (betacaroteno) e D, entre outras substâncias

antioxidantes que, supostamente, irão protegê-las de um infarto ou derrame. Elas estão certas

em se preocupar. As doenças cardiovasculares lideram as causas de morte – no Brasil,

respondem por cerca de um terço do total de óbitos. Por outro lado, essas pessoas estão

erradas ao achar que os suplementos poderão protegê-las. A grande maioria dessas vitaminas

simplesmente não funciona na prevenção de doenças cardíacas.

É verdade que o processo de oxidação no organismo (provocado por excesso de

consumo de alimentos calóricos, bebidas alcoólicas e cigarro, entre outros) favorece a

aterosclerose, que é a formação de placas de gordura, cálcio e outros elementos na parede das

artérias. Com o passar dos anos, isso leva ao entupimento dessas artérias e, em consequência,

aos infartos, derrames e outros problemas vasculares.

Seria lógico imaginar que esses problemas poderiam ser evitados com suplementos

antioxidantes. Mas isso não acontece, como mostram estudos em todo o mundo. Em um

trabalho publicado na revista inglesa The Lancet, um grupo de médicos do Departamento de

Medicina Cardiovascular da Cleveland Clinic Foundation, nos Estados Unidos, analisou os

resultados de mais de uma dezena de pesquisas de vários países relacionadas ao uso de

suplementos de vitaminas A (betacaroteno) e E, envolvendo mais de 200 mil pacientes. Em

nenhum dos casos foi observado qualquer benefício. A mortalidade por doenças cardíacas foi

muito similar entre os grupos que tiveram a suplementação de vitaminas e aqueles que não

tiveram. E mais: embora o risco seja pequeno, a vitamina E pode reduzir o HDL, o “bom

colesterol”; e o betacaroteno pode estar associado ao aparecimento de tumores, como o de

pleura, especialmente em fumantes.

O arsenal de suplementos alimentares em voga inclui outros itens, alguns menos estudados.

Um exemplo é a sugestão de que o ômega 3 traz benefícios para a saúde, mas ainda faltam

pesquisas mais abrangentes.

E os famosos benefícios do vinho, particularmente o tinto? Aqui, além das evidências

de que os polifenóis – substâncias presentes nas uvas – ajudam a aumentar o HDL, o que

temos são estudos mostrando que a incidência de doenças cardíacas é menor em países onde

o consumo da bebida é maior.

São principalmente países do sul da Europa, onde, além do vinho, consomem-se mais

peixes, azeite de oliva, verduras e legumes – a saudável dieta Mediterrânea. Portanto, há aí

um conjunto de fatores favoráveis e não dá para elevar o vinho à condição de agente solitário

na prevenção dos males do coração. Sendo assim, não espere que seu médico vá prescrevê-lo.

O máximo que ele fará será recomendar moderação se o paciente já tiver o costume de tomar

vinho. Com isso, a pessoa poderá colher os benefícios dessa bebida e ficará longe dos

malefícios do excesso de álcool.

O vinho e a suplementação de vitaminas e substâncias antioxidantes não fazem parte

das recomendações das associações médicas para a prevenção de doenças cardíacas. O que

elas indicam é: ter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos e de relaxamento

regularmente, não fumar e visitar o médico periodicamente para controlar fatores de risco

como pressão alta, colesterol, obesidade e diabetes. São recomendações bem mais prosaicas e

menos glamourosas que as porções mágicas dos suplementos. Mas de efeito comprovado.

(PÁGINA EINSTEIN. In: Veja. Ed. 2149. Nº 43. Ano 4. 27 de janeiro 2010.)

Considerando os aspectos semânticos e morfossintáticos dos termos linguísticos do fragmento: “São recomendações bem mais prosaicas e menos glamourosas que as porções mágicas dos suplementos. Mas de efeito comprovado." (linhas 44 - 45), julgue a assertiva abaixo:

O termo “prosaicas" está empregado em sentido prejorativo, uma vez que, semanticamente, opõe-se a “glamourosas".
 

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