Na sociedade moderna, ao inverso das anteriores, não há fronteiras, não há exterioridade. Todos os conflitos são resolvidos ou são passíveis de soluções internas. Com o surgimento do espaço da igualdade e do Estado- nação, foram implementados mecanismos internos de resolução de conflitos. O sistema capitalista, na medida em que se implantou, por sua vocação natural à mundialização, dirimiu a noção de exterioridade. Quando os escravos rebelavam-se no Brasil colônia, só havia uma possibilidade de vitória: a criação de quilombos, as organizações exteriores à sociedade colonial- escravagista.
Cria-se, dessa forma, um paradoxo na sociedade moderna, pois o excluído sempre está dentro, na medida em que não existe mais o estar fora. Sempre está envolvido no processo de produção- consumo. Sempre ocupa um desses lugares, senão os dois. Os catadores de papel ou lixo em geral, por exemplo, estão inseridos no processo produtivo, ocupando a base de uma hierarquia de negócios, cujo ápice é ocupado por indivíduos ricos que se apropriam dos valores produzidos na base. O mesmo ocorre com os trabalhadores informais pobres da esfera de comércio, que, com seu trabalho, reduzem os custos da distribuição, evitando o pagamento de impostos e benefícios salariais.
Morador de rua ou catador de papel, mendigo ou biscateiro, todos estão inseridos no processo de produção e consumo. Excluídos, mas não exteriores à sociedade. Excluídos porque não têm acesso aos bens materiais e simbólicos modernos ou não têm condições de participar da gestão pública, pelo simples fato de se encontrarem no patamar mínimo da sobrevivência.
O espaço da desigualdade, em sua nova dimensão, impede que se consolide o espaço da igualdade, deixando à margem dos direitos justamente aqueles que não têm recursos para acionar os mecanismos de defesa.
Elimar Pinheiro do Nascimento. In: No meio da rua –
nômades, excluídos e viradores. Marcel Bursztyn (Org.). Rio de Janeiro: Garamond, 2000, p. 122-3 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue o item subsequente.
De acordo com o texto, os trabalhadores informais beneficiam-se por não pagarem impostos, o que estimula, cada vez mais, esse tipo de relação de trabalho.