Magna Concursos
2380448 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: FUNRIO
Orgão: CBM-RJ
Ninguém = ninguém
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual à outra
(ninguém = ninguém).
Me encanta que tanta gente sinta (se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase
(ninguém = ninguém).
Me espanta que tanta gente minta (descaradamente) a mesma mentira
São todos iguais e tão desiguais
Uns mais iguais que os outros
Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca – os olhos úmidos).
Entre duas pessoas, entre quatro paredes
Tudo fica claro, ninguém fica indiferente
(ninguém = ninguém).
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora
São todos iguais e tão desiguais
Uns mais iguais que os outros.
Umberto Gessinger. Engenheiros do Hawai, 10.000 destinos – ao vivo (Warner Chapell)

As expressões “Há tantos quadros na parede”; “Há tantas formas de ver o mesmo quadro”; “Há tanta gente pelas ruas”; “Há tantas ruas”, com que se iniciam os quatro primeiros versos do poema “Ninguém=ninguém, servem para reforçar a idéia de:

 

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