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Leia o poema abaixo para responder a questão 18:

ROMPE O POETA COM A PRIMEIRA IMPACIÊNCIA QUERENDO DECLARAR-SE E TEMENDO PERDER POR OUSADO

Anjo no nome, Angélica na cara,

Isso é ser flor, e Anjo juntamente,

Se Angélica flor, e Anjo florente,

Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara

De verde pé, de rama florescente?

E quem um Anjo vira tão luzente,

Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo dos meus altares,

Fôreis o meu custódio, e minha guarda,

Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,

Posto que os Anjos nunca dão pesares,

Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik.13 ed. São Paulo: Cultrix,1997.p.200

Considerando o poema acima, analise as proposições abaixo como ( V) verdadeiras ou ( F ) falsa.

( ) A figura feminina presente no soneto é vista pelo eu lírico como “anjo” e “flor” ao mesmo tempo.

( ) A metáfora anjo remete à perspectiva imaterial da figura feminina, ao passo que flor se associa à dimensão material. Anjo e flor representam alma e corpo, espiritualidade e sensualidade, respectivamente.

( ) No verso “Sois anjo, que me tenta, e não me guarda” há um paradoxo.

( ) O soneto transcrito revela muito do estilo cultista adotado por Gregório em suas composições. Desenvolve-se por meio do jogo de palavras e imagens: “Ângela” = “Angélica” = “Anjo”, “flor” = “florente”. Gregório segue uma tradição explorada por Shakespeare e Camões ao comparar a beleza da mulher à natureza.

( ) O poeta trabalha com duas entidades – flor e anjo – que se irmanam pela beleza, mas que se distanciam pela duração. A flor significa brevidade, enquanto que o anjo é ser eterno. Essa duplicidade emerge do nome da mulher amada, cuja beleza indiscutível lança o poeta em tensão.

( ) A última estrofe começa com a conjunção adversativa ´´Mas" dando prosseguimento ao raciocínio da estrofe anterior, deixando clara a contradição que há na condição de sua amada.

( ) O soneto que se inicia com a louvação de uma beleza angelical, encerra-se como advertência contra uma tentação demoníaca..

A sequência correta de cima para baixo é:

 

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