Sobre as urgências e emergências em saúde é correto afirmar:
Os critérios que utilizam para qualificar a necessidade de rapidez nos atendimentos se apoiam em múltiplas determinações, desde as mais próximas dos critérios médicos – sangramento, fratura exposta – até no entendimento de que quase tudo que chega ao Pronto Socorro tem de ser atendido, tem uma emergência.
A observação do modo como chegam os usuários ao pronto socorro – andando, de ambulância, em carro do corpo de bombeiros – do grau de nervosismo/aflição identificado no pedido, no “poder de mobilização” do usuário e sua rede social, tudo isto entremeado por identificações de classe, empatia e preconceitos frente ao que qualificam como “doença de verdade” ou “escolhas”, estas últimas referenciadas aos “bêbados”, pacientes psiquiátricos e drogados, justificando, muitas das vezes, o descaso e mal-tratos.
O descrédito no usuário é também uma outra característica observada por Giglio-Jacquemot nas falas dos médicos, enfermeiras e técnicos, os usuários são “apresentados e considerados ‘ignorantes, mentirosos, atores, fracos, ... espertinhos’, que tentam enganar os médicos ou se aproveitar do pronto-socorro para conseguir prioridade no atendimento”.
Um dos pontos importantes é que, apesar das diferentes perspectivas que embasam as triagens do que seria urgência e emergência para os diferentes profissionais envolvidos, médicos e não-médicos, elas convergem em alguns pontos, são eles: priorização dos aspectos vitais dos pontos de vista biológicos, físicos e psíquicos em detrimento dos aspectos sociais constitutivos dos processos vitais, a comunhão de preconceitos e valores sociais no descaso ao atendimento de pacientes categorizados como “essencialmente não urgentes” (os alcoólatras e drogados), a presteza maior no atendimento a usuários de classe social e nível cultural mais abastados, na importância da identificação dos que fingem ou estão dizendo a verdade sobre suas emergências e no consenso de que se a dor ou o problema é antigo, “quem esperou tanto para acessar o serviço pode esperar mais”.
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