Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança:
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esp’rança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudadesC.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mil converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor1 espanto;
que não se muda já como soía2.
1mor – maior
2soía – costumava
Luís Vaz de Camões. Antologia escolar
portuguesa. Rio de Janeiro: Fename, 1970, p. 319.
Considerando o texto poético acima, julgue os itens a seguir, relativos a aspectos lingüísticos e literários, históricos e geográficos.
Antes de “as saudades” (v.8), subentende-se a forma verbal ficam.