Atenção: Para responder à questão, considere a crônica, abaixo, de Rubem Braga.
[Estar em casa]
Vem uma pessoa de minha cidade natal e diz que ainda continua reservado para mim aquele pedaço de terra, em cima das pedras, entre duas prainhas. Ali um dia este escritor, o velho Braga, juntando os tostões que puder ganhar batendo em sua máquina de escrever, levantará a sua casa perante o mar da infância. Ali plantará árvores e armará sua rede e meditará talvez com tédio e melancolia na vida que passou.
Como será a casa? Ah, amigos arquitetos, vocês me façam uma coisa tão simples e tão natural que, entrando na casa, morando na casa, a gente nunca tenha a impressão de que antes de fazê-la foi preciso traçar um plano; e a que ninguém sequer ocorra que ela foi construída, mas existe naturalmente, desde sempre e para sempre, tranquila, boa e simples. Uma casa em que não se tenha, de vez em quando, a consciência desse estar em uma determinada casa, mas apenas de estar em casa.
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. O homem rouco. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1963, p. 155-156)
Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase: