Esta noite a onça atacará
A menina Ruth tremia de medo: o dia terminava e a noite se aproximava. Mas não era medo do escuro, pois já estava acostumada a viver no escuro. Criada na mata, todos os sons lhe eram peculiares e aquele mundo de terra selvagem com muito verde, era seu lar. Nem sabia se estava no Brasil, nem sabia se estava na Bolívia, tamanha a distância daquele seringal de tudo que se movesse a gasolina ou a óleo diesel.
Seu medo era interno: da mãe querida, por sua enfermidade que a cada dia roubava-lhe as forças e definhava o corpo da maior amiga e incentivadora.
E do pai, que praticamente com ela não falava mas vociferava, resmungava e intimidava. Era um homem crente, mas era um homem da mata, onde valia a lei da selva nos relacionamentos – em todos eles: pouca fala, muita intimidação, quem sabe até por defesa. No meio das feras o homem transformava-se em uma delas aos poucos.
Com filhos pequenos, com Ruth, seis, a mãe procurava os últimos instantes de vida para ensinar-lhe tudo: cozinhar, cuidar das crianças, da casa, mexer com o fogo, remendar o fogão de barro que ela mesmo enfraquecida fizera, cuidar dos cachorros e caçar.
“É assim que se caça, minha filha”. Deitada a maior parte do tempo, a enferma Emília repassava à menina Ruth – de pouco mais de 10 anos, como ela deveria fazer na prática, senão, ninguém comeria naquele dia ou quem sabe, naquela semana.
...O pai levantava cedo, ainda escuro, colocava a poronga na cabeça e se emaranhava na mata fechada para colher látex. Poronga é a lamparina acreana, um capacete segurando a única forma de luminosidade possível ali.
BORGES FILHO, Jáder. Faith & Book: crônicas e situações que vivi...
São José dos Campos, 2015, pp. 125-126.
Quanto à produção dos segmentos consonantal e vocálico, temos que:
I. As vogais são sons produzidos com o estreitamento da cavidade oral devido à aproximação do corpo da língua e do palato sem que haja fricção de ar.
II. Na identificação e descrição das vogais usam-se, como parâmetros, o avanço ou recuo e altura do corpo da língua e a presença ou ausência de protrusão labial.
III. Não temos um aparelho especial para a fala; produzimos os fonemas servindo-nos de órgãos do aparelho respiratório e da parte superior do aparelho digestivo, que secundariamente se adaptam às exigências da comunicação.
IV. Os sons utilizados no exercício da linguagem humana são vibrações com frequências, intensidades e durações características, produzidas por uma coluna de ar em movimento, iniciado nos pulmões, na fase expiratória do processo de respiração, percorre o chamado aparelho fonador, finalizando-se na cavidade nasal.
Julgue as proposições acima e marque uma alternativa correta abaixo: