O gênero epistolar foi largamente difundido em todo o período helenístico, ressaltando-se a circulação literária das cartas de filósofos (Platão e Epicuro, por exemplo) e, a partir do segundo século, as dos apóstolos e as de outras figuras cristãs importantes. O que interessa, sobretudo, destacar é que a carta guarda relações genéricas tanto com o diálogo quanto com a narrativa. A carta, ainda que contenha uma narrativa, configura sempre um diálogo potencial em que o remetente marca seu texto com indícios que determinam o seu lugar, bem como o do recebedor. O narrador de uma carta não deixa de ser, por natureza, um narrador representado, como é Sócrates na República, de Platão.
Jacyntho Lins Brandão. A invenção do romance.
Brasília: Ed. UnB, 2005, p. 130-1 (com adaptações).
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A carta é um dos tipos de texto relacionados à filosofia e disponíveis desde a Antiguidade. Atualmente, por e-mail, pode-se realizar a troca de correspondência filosófica não só entre um remetente e um destinatário, mas também entre pessoas de um grupo, o que amplia o diálogo e acrescenta à filosofia um novo registro, o virtual.