Magna Concursos
1037592 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: IMAIS
Orgão: Câm. Sumaré-SP
Estrutura e função do cérebro
Os hemisférios direito e esquerdo do nosso cérebro mostram diferenças em sua anatomia macroscópica, muitas das quais também são encontradas no cérebro de outros animais. Nos humanos, o hemisfério esquerdo fornece, em geral, uma contribuição única para a linguagem e para a execução de movimentos complexos. Em consequência, uma lesão nesse lado tende a ser acompanhada por afasia (defeito na fala ou na linguagem escrita) e apraxia (defeito no movimento coordenado).
As pessoas costumam ter mais facilidade no ouvido direito (hemisfério esquerdo) para captar palavras, números, sílabas sem sentido, código morse, ritmos difíceis e a ordenação de informações temporais, e no ouvido esquerdo (hemisfério direito) para melodias, acordes musicais, sons do ambiente e tons de voz. Diferenças análogas foram encontradas também para outros sentidos. Sabemos, por exemplo, que a mão direita (cujas sensações se projetam quase totalmente para o hemisfério esquerdo) é melhor para discriminar a ordem de estímulos, enquanto a mão esquerda é mais sensível às suas características espaciais.
Entretanto, o hemisfério direito é dominante em muitas capacidades cognitivas superiores, tanto nos cérebros normais como nos que foram divididos por cirurgia. O hemisfério direito tende a apresentar mais facilidade para interpretar expressões faciais, intuir princípios geométricos e relações espaciais, perceber o todo a partir de uma coleção de partes e avaliar acordes musicais. Também tem mais facilidade para expressar emoções (com o lado esquerdo do rosto) e detectar emoções em outras pessoas. Curiosamente, isso nos obriga a ver o lado do rosto menos expressivo dos outros (o direito) com nosso hemisfério emocionalmente mais astuto (o direito) e vice-versa.
Os psicopatas, em geral, não mostram essa vantagem do hemisfério direito na percepção de emoções, talvez seja uma das razões por que eles têm dificuldade para detectar o sofrimento emocional em outras pessoas.
A maioria dos dados indica que os dois hemisférios diferem em temperamento, e agora parece indiscutível a afirmação de que eles podem dar contribuições diferentes (e até opostas) à vida emocional do indivíduo. Em um cérebro dividido, os hemisférios provavelmente não percebem o self e o mundo da mesma maneira, também é provável que não se sintam do mesmo modo em relação a eles.
Boa parte do que nos faz humanos costuma ser obra do lado direito do cérebro. Em consequência, temos todas as razões para crer que o hemisfério direito desconectado possui uma consciência independente e que o cérebro dividido abriga dois pontos de vista distintos. Esse fato traz um problema intransponível para a ideia de que cada um de nós possui um self único e indivisível — que dirá uma alma imortal.
(Trecho do livro “Despertar”, de Sam Harris).
Ainda sobre o mesmo trecho, assinale a alternativa em que a palavra esteja corretamente grafada, ou seja, com G, tal qual o termo vantagem.
 

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