Magna Concursos
166737 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: FGV
Orgão: CODESP
Provas:

Perda de oportunidades no trabalho

As empresas vinculadas ao setor de

petróleo no Brasil treinaram e formaram mais de

mil profissionais desde 2007, em um programa

de qualificação que abrange do nível básico a

cursos de pós-graduação. Mesmo assim, não

conseguiram atender a toda a demanda de pessoal

qualificado identificada pelo setor. A exemplo do

petróleo, vários outros ramos de atividade

industrial, da construção ou de serviços têm se

envolvido diretamente na formação e treinamento

de profissionais que não estão disponíveis no

mercado.

Nem por isso os índices de desemprego se

tornaram irrelevantes no país. Há muitas pessoas

que permanecem sem ocupação por serem

inabilitadas às vagas e aos cargos que o mercado

oferece. São numerosas oportunidades perdidas

que se multiplicarão, se a economia brasileira

continuar com seu impulso de crescimento – e a

qualidade da educação continuar baixa. Afinal, a

dificuldade de se formar e qualificar profissionais

na velocidade que o mercado hoje demanda se

deve, em grande parte, a deficiências do sistema de

ensino brasileiro.

Um enorme contingente de jovens deixa as

escolas ainda com falta de capacidade de aprender.

O ensino técnico profissionalizante, com honrosas

exceções, passou anos sem sintonia com o mundo

real. A escassez de profissionais qualificados vem

forçando uma transformação nesse sistema de

ensino, e algumas iniciativas inovadoras começam

a apresentar resultados, o que pode motivar a

reprodução dessa experiência pelo país inteiro. No

caso do Estado do Rio, merecem atenção os

chamados Centros de Vocação Tecnológica, mais

voltados para jovens da região metropolitana.

Esses centros se diferem do ensino técnico

convencional porque ministram cursos de curta

duração (de dois meses a um ano, essencialmente)

e buscam atender a demandas específicas de

grupos de empresas localizadas em suas

proximidades. Os planos das autoridades

responsáveis por esses centros são de ampliar o

número de vagas para 54 mil alunos ainda este

ano.

O ensino técnico profissionalizante de fato

precisa hoje correr contra o relógio, pois, se

persistir a falta de pessoal qualificado, as

oportunidades acabam definitivamente perdidas

pela desistência dos potenciais empregadores.

Mas, simultaneamente a essa premência de

curto prazo, espera-se que a cadeia de ensino no

país, da pré-escola à universidade, acelere ou

implante programas que possibilitem um

substancial salto de qualidade. Educadores já

contam com ferramentas pedagógicas e

tecnológicas que facilitam essa aceleração. O

ensino a distância, mais acessível graças às

telecomunicações e aos recursos da informática,

pode romper barreiras que antes impediam a

universalização de um sistema educacional de boa

qualidade.

O aproveitamento das oportunidades que

estão surgindo é valioso porque, além da realização

pessoal na vida profissional, é um atalho para

melhora dos níveis de renda e de bem-estar de

fatias cada vez maiores da população brasileira.

Ao lado dos indicadores macroeconômicos,

precisamos acompanhar os referentes ao sistema

de ensino em geral, e, especificamente, os relativos

ao ensino profissionalizante. Sem melhorar a

educação pública, milhões continuarão prisioneiros

do assistencialismo, e as empresas, desassistidas.

(O Globo, 28/04/2010)

Partindo da ideia de que o texto pode ser dividido em quatro partes, assinale a alternativa que apresente a delimitação correta de cada parte.
 

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