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368964 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Novo Horizonte-SP
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
O seu segundo cérebro
Por Alexandre di Santi e Sílvia Lisboa
Quase todo mundo é ansioso. Segundo a Associação Internacional de Controle do Estresse (ISMA), 72% dos trabalhadores brasileiros são estressados. Mais da metade da população está acima do peso e tem problemas de sono – hoje se dorme 1h30 a menos, por noite, que na década de 1990. E nunca houve tanta gente, no mundo, sofrendo de depressão. De onde ............. esses problemas? Cada um deles ........... suas próprias causas, mas alguns estudos de publicação recente ............ revelado um ponto em comum entre todos eles: a sua barriga.
Dentro do sistema digestivo humano há o que alguns pesquisadores já chamam de “segundo cérebro”, com meio bilhão de neurônios e mais de 30 neurotransmissores (incluindo 50% de toda a dopamina e 90% da serotonina presentes no organismo). Tudo isso existe para controlar uma função essencial do corpo: extrair energia dos alimentos. Contudo, as novas pesquisas estão revelando que não é só isso: os neurônios da barriga podem interferir, sem que você perceba, com o cérebro de cima, o da cabeça, afetando o seu comportamento, as suas emoções e até o seu caráter. E o mais incrível é como eles fazem isso, mas, primeiro: que história é essa de “neurônios da barriga”?
Sem energia, não existe vida. Você precisa dela. E, diferentemente das plantas, que se viram com CO² e luz solar, os animais ............ energia comendo – e digerindo – outros seres. É um processo fundamental ao seu organismo, mas não é nada simples. Tanto é assim que, ao longo da evolução, animais primitivos – como os vermes de 600 milhões de anos atrás – foram desenvolvendo uma rede de neurônios no sistema digestivo. Lá, eles coordenavam o processamento da comida, que, graças a isso, tornou-se mais sofisticado, ou seja, capaz de extrair energia de mais e mais tipos de alimento. Também desempenhavam outras funções cruciais: detectar e expulsar substâncias tóxicas, evitando que o bicho morresse ao comer algo venenoso. Deu tão certo que a rede de neurônios digestivos foi aumentando e se sofisticando, até chegar ao que, hoje, é conhecido como sistema nervoso entérico (SNE). Ele existe em todos os animais vertebrados e, nos humanos, é uma rede de neurônios que percorre todo o abdômen: são de 6 a 9 metros, começando no esôfago, passando pelo estômago e pelo intestino e indo até o reto (os neurônios ficam numa espécie de “forro”, atrás das mucosas que processam os alimentos). Você já nasce com eles, mas o SNE aprende e evolui com o tempo – o que ajuda a explicar por que os bebês nascem com dificuldade para digerir qualquer coisa, até o leite materno.
Quando você coloca na boca aquela batatinha frita, provavelmente ignora a verdadeira alquimia que está prestes a ocorrer: ao final do processo, a batata será parte de você. Mágico, não? Mas, para que o feitiço ocorra, uma série de processos precisam estar sincronizados. Você pode perguntar: mas, e daí? O sistema digestivo não está fazendo mais que a obrigação, certo? Certo. Só que ele vai além – e graças a uma força que nem humana é. Desde que a ciência descobriu as bactérias (em 1676, pelo holandês Antoine van Leeuvenhoek), a humanidade sempre desprezou, odiou e temeu essas criaturas. Com alguma razão: podem causar infecções mortais. O fato, no entanto, é que as bactérias nem sempre são nocivas ao homem; a maior parte é fundamental para o organismo – tanto que nosso corpo abriga uma enorme quantidade delas. Um homem de 1,70 m e 70 kg, por exemplo, possui aproximadamente 30 trilhões de células humanas, e 39 trilhões de bactérias; ou seja: o seu corpo contém mais células não humanas do que humanas. Essa população de micro-organismos é chamada de microbiota, e grande parte dela vive no sistema digestivo, onde existem 300 espécies de bactérias. Elas moram lá porque, assim como você, precisam de energia para sobreviver: no caso, a comida que você come. Essas bactérias, portanto, são benéficas, já que ajudam na digestão dos alimentos.
Quanto aos neurônios ‘abdominais’, os cientistas ainda estão tentando entender de que forma eles agem sobre o cérebro. Já ficou provado, no entanto, que a barriga realmente pode mandar na cabeça, e – como qualquer pessoa que já teve dor de barriga porque ficou ansiosa sabe – também pode ser influenciada por ela. “Tanto o seu humor pode afetar o aparelho digestivo, quanto o seu aparelho digestivo pode afetar o humor”, diz o médico Carlos Francesconi, professor da UFRGS e especialista em neurogastroenterologia, área da medicina que estuda os neurônios do sistema digestivo. E esses processos são influenciados por bactérias. “Elas exercem um papel regulatório, como se fossem um órgão a mais”, diz Marcio Mancini, chefe do grupo de estudos de obesidade do Hospital das Clínicas da USP.
Há quem acredite que, entendendo a importância das bactérias, aprenderemos a conviver com elas de outra forma e controlá-las usando menos remédios. “Em 20 ou 30 anos, vamos ter um chip implantado no corpo que será lido pelo computador do médico. Ele vai poder analisar o perfil do indivíduo e receitar uma alimentação personalizada para tratar determinadas doenças”, projeta Dan Waitzberg, professor da USP. O jogo da humanidade contra as bactérias pode, no máximo, terminar empatado. Não devemos ceder, mas também não podemos querer exterminá-las. Afinal, elas são parte de nós, aliás, a maior parte.
Fonte: http://super.abril.com.br/saude/seu-segundo-cerebro/
(Acesso em 19/12/2016) – Texto adaptado especialmente para esta prova.
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas do texto.
 

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