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1136696 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: PREVIROSA
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Criptografia ou capacidade de viralização? O whatsapp precisa enxergar esse paradoxo
Em junho de 2016, bem antes de as notícias falsas aterrissarem no WhatsApp, o “think tank” progressista The Century Foundation publicou no Youtube um vídeo em que Edward Snowden fazia uma espécie de alerta. Na gravação de cerca de dois minutos de duração, o analista de sistemas que revelou ao mundo o que acontecia na NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, explicava a importância da criptografia para a vida cotidiana em pleno século XXI e discorria sobre os riscos embutidos em seu eventual mau uso. Hoje em dia, em absolutamente todos os eventos sobre notícias falsas e “fact-checking” de que participo !$ ^{II)} !$ sejam no Brasil ou no exterior !$ ^{II)} !$, a pergunta é sempre a mesma: como combater as mentiras encriptografadas que circulam no WhatsApp? E a resposta é a dúvida.
Mas vejamos o que dizia Snowden, lá em 2016 :!$ ^{III)} !$
"A criptografia é o que mantém nosso dinheiro no banco – e não na conta dos criminosos. !$ ^{III)} !$
É o que mantém nossas represas fechadas, e as estradas abertas. A criptografia é o que determina que os aparelhos nos hospitais e também dentro dos nossos corpos nos entreguem doses terapêuticas – e não letais. A criptografia salva vidas e protege propriedades. Sem ela, nossa economia para. Nossos governos param. Mas não é possível garantir que a criptografia será utilizada apenas pelos bonzinhos. Ela está no campo da matemática, e, por mais que desejemos o contrário, matemática é matemática. Funciona do mesmo jeito para a Madre Teresa de Calcutá e para Osama bin Laden".
Pois bem: naquele mesmo 2016, aqui no Brasil, ao acessar o WhatsApp, usuários do aplicativo passaram a receber o seguinte alerta: “As mensagens que você enviar para esta conversa e chamadas agora são protegidas com criptografia de ponta a ponta”.
Era o app adotando no país em que chegaria a ter 120 milhões de usuários ativos a criptografia do tipo “end-to-end”, aquela que, segundo a própria empresa explica, “assegura que somente você e a pessoa com quem você está se comunicando podem ler o que é enviado e ninguém mais, nem mesmo o WhatsApp”.
A medida é, sem dúvida, importantíssima. A criptografia "end-to-end " !$ ^{I)} !$garante que as correspondências digitais não serão violadas. Permite que jornalistas entrevistem fontes, garantindo-lhes o anonimato, por exemplo. É com sistemas assim que escândalos como o de Snowden e de outros “whistleblowers” poderão continuar vindo à tona. Não se questiona aqui – de forma alguma – que a sociedade precisa de aplicativos de mensagens criptografadas para seguir funcionando e para ter um jornalismo de profundidade.
Mas será que a sociedade também precisa que esses mesmos aplicativos permitam viralizações? Não haveria um paradoxo na expressão "mensagem criptografada que viralizou"? Acompanhe o raciocínio: a princípio, acredito que os sistemas criptografados têm por função passar uma mensagem de forma segura para uma, duas ou poucas pessoas. É uma proteção extra para um segredo que precisa ser bem guardado entre poucos indivíduos. Do outro lado, está a viralização, aplicada a conteúdos que devem atingir a massa, se espalhar entre cidadãos com velocidade e ser compartilhados à exaustão. Como esse segundo tipo de material é algo que precisa ou deve ganhar o mundo, qual o sentido de aplicar nele a criptografia? Por que impedir a leitura de um conteúdo que todos já estão lendo?
Um professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e criador do Monitor do WhatsApp, mantido pelo projeto Eleições Sem Fake, também enxerga o paradoxo. !$ ^{I)} !$ "O WhatsApp permite que um usuário envie uma mensagem para 256 grupos de até 256 usuários e que essas mensagens possam ser repassadas adiante e facilmente espalhadas " !$ ^{I)} !$, explica. "Essa capacidade de viralizar é típica de redes sociais e talvez o diferencial competitivo do WhatsApp, mas também permite que campanhas de desinformação tentem manipular opinião pública de forma velada".
Fica o questionamento. Não deveria o WhatsApp escolher entre a criptografia e a capacidade de viralização? Não deveria estabelecer regras para uso de um instrumento e de outro? Caso contrário, continuará distorcendo a função de sigilo e abrindo espaço inegável à desinformação maciça.
(Cristina Tardáguila – Revista Época – 03/12/2018 – Disponível em: https://epoca.globo.com – adaptado).
Considerando o emprego correto dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:
I. O emprego das aspas, abertas e fechadas, deve-se a mesma situação de ocorrência daquelas empregadas.
II. O duplo travessão, empregado, poderia ser substituído por vírgulas sem prejuízo da correção gramatical do período.
III. Os dois pontos são empregados para introduzir a fala, em discurso direto, de Edward Snowden.
Quais estão corretas?
 

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