Em todos os povos e culturas, o fogo sempre foi associado às forças espirituais. É símbolo da divindade e das chamas do inferno. Ao mesmo tempo, o fogo é, dos quatro elementos da natureza, o mais sutil. Afinal de contas, é o único com o qual a gente não pode entrar em contato direto.
O fogo é fonte de luz e nos aquece. Mas ninguém pode tomar banho no fogo, respirar fogo ou pegar fogo sem se ferir. O fogo fere porque ele é pura transformação. Nunca é igual, nem a si mesmo. Para os alquimistas, o triângulo era o símbolo do fogo, porque ele procura o alto. Em todas as religiões, o fogo é parte essencial dos rituais, pois purifica. É símbolo da alma em muitos povos, e, em todos, é símbolo do Amor. Afinal, qual é a relação entre o fogo que queima o dedo e o que arde no coração dos apaixonados? Na natureza, tudo é símbolo. O fogo representa a ânsia de transformação que é uma força de amor, movendo o mundo. Dentro do coração de cada um de nós, segundo os magos, os xamãs, os rabinos e outros ainda, existe uma chama sagrada que é uma centelha da própria Divindade (como no Sagrado Coração de Jesus). Os astrólogos sempre identificaram o coração com o Sol, porque a nossa alma é como um fogo celeste batendo no peito, um fogo que é a própria Vida.
Por isso o fogo é tão importante nos rituais religiosos. Existe a lenda da Fênix, um pássaro mágico e imortal, que renascia das próprias cinzas. Os romanos tinham o fogo eterno de Vesta, a Deusa do Lar, guardado por um grupo de sacerdotisas virgens, chamadas Vestais. Essa função era tão importante que, se uma delas rompesse os votos de castidade, era enterrada viva... Hoje em dia, no Rio Grande do Sul, existe em uma fazenda um fogo de chão que não se apaga, há mais de duzentos anos, sendo guardado por gerações como o altar da família. Para eles, representa a própria Roda da Vida. Um fogo que aqueceu gerações e gerações. Existe uma relação também entre o tempo e o fogo — os dois devoram tudo o que tocam.
Todo esse prestígio místico para o fogo não chega a disfarçar o fato de que ele é uma força extremamente perigosa e destrutiva, que tem que ser mantida sob controle o tempo todo.
O terror de quem está preso em um incêndio é indescritível. As pessoas possuem um medo ancestral de morrerem queimadas... O fogo as leva a extremos e a fazer coisas igualmente extremas. É, por isso, que o fogo é um dos símbolos do Inferno, e no Céu é tudo arejado, refrescante... Ou alguma filosofia promete um Céu de labaredas para os seus devotos?
Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/w3/henrique/caminholuz/fogo.htm#:~:texl>. Acesso em: 20 dez. 2022. Adaptado.
Após a leitura do fragmento destacado, pode-se afirmar acerca do texto:
I. Para a humanidade, o fogo se apresenta como elemento figurativo que ultrapassa sua condição químico-elementar.
II. Ao comparar o fogo a outros elementos da natureza, o texto atribui a ele um potencial de significação maior que os demais.
III. Além da sua utilidade prática e natural, o fogo está associado às práticas religiosas e filosóficas, sendo desmerecido o seu poder natural, enquanto um dos elementos da natureza.
IV. Algumas vezes, o fogo é símbolo de força, vida e purificação, mas também de dor, sofrimento, poder e castigo.
V. Ao atribuir ao fogo um sentido divino, o texto estabelece uma relação de cumplicidade e de poder capazes de transformar o homem e, em extensão, a humanidade.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a