2242798
Ano: 2015
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Itame
Orgão: Pref. Padre Bernardo-GO
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: Itame
Orgão: Pref. Padre Bernardo-GO
Provas:
Escola da Família Agrícola de Garibaldi enfrenta dificuldades
Após um ano da inauguração, direção luta para
manter instituição em funcionamento e atender aos
27 alunos de nove municípios.
No dia 27 de maio de 2014, a Escola da Família Agrícola de Garibaldi completou um ano de funcionamento. Atualmente, 27 alunos, de nove
municípios (2 de Barão, 1 de Boa Vista do Sul, 4 de Caxias do Sul, 2 de Farroupilha, 4 de Coronel Pilar, 7 de Garibaldi, 3 de Ipê, 2 de Bento Gonçalves e 2 de Carlos Barbosa) frequentam a instituição que trabalha com a pedagogia de alternância, na qual permanecem uma semana na escola, em regime de internato, e outra em casa com a família, aplicando na prática os conhecimentos. São duas turmas: uma de primeiro ano, com 13 alunos que ingressaram em 2014; e outra de segundo ano, com 14 matriculados desde 2013. Os estudantes são acompanhados por oito professores com pós-graduação, mestrado ou doutorado, sendo que quatro são monitores e dormem na escola.
A EFA Serra Gaúcha foi a realização do sonho de um grupo de agricultores que, em 2011, se reuniu com a intenção de criar uma escola de ensino médio e técnico agrícola para estimular a permanência dos jovens na propriedade rural. Depois de dois anos de pesquisas, entrevistas com cerca de 500 famílias de agricultores e visitas a instituições semelhantes, a ideia foi concretizada e as aulas iniciaram. Na época, além de investimentos federais, estaduais e da iniciativa privada, a promessa era que os municípios que tivessem alunos matriculados na escola contribuíssem com uma verba mensal para ajudar nas despesas dos mesmos, já que cada um custa em média R$ 1,2 mil por mês, considerando gastos com alojamento, transporte e estudos.
Porém, um ano após o início das aulas, a EFA Serra Gaúcha passa por dificuldades financeiras. Conforme a coordenadora geral e uma das fundadoras, Ivone Möllmann Manica, hoje apenas Garibaldi, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar estão contribuindo com R$ 500 por aluno dos municípios, um total de R$ 6 mil. O restante da renda provém dos pais que contribuem com R$ 200 por mês, além de R$ 200 que cada aluno recebe em virtude da participação deles no programa federal do Pronatec Campo. A cada três meses, a escola também recebe uma quantia por aluno, por meio do Fundeb, do governo do Estado. As parcerias com as instituições privadas, firmadas no primeiro ano, ainda não foram renovadas em 2014.
Dificuldades para equilibrar as contas
Em virtude da falta de recursos, Ivone destaca que tem sido difícil equilibrar as contas mensais com aluguel do prédio (R$ 3.180), almoço, transporte dos alunos e salário dos professores. Segundo ela, os estudantes estão trazendo de casa os alimentos que consomem durante a semana, no café da manhã e na janta. “Para não fechar a escola, algumas vezes os administradores já tiraram dinheiro do próprio bolso. A nossa situação está bem complicada”, aponta.
Ivone, que também leciona na EFA, salienta que diversas vezes os professores já tiveram os salários atrasados por mais de três meses. “Nesse ano, tivemos dificuldades para contratar professores, pois eles não queriam trabalhar aqui porque não tinham a certeza que iriam receber no final do mês. No ano passado, a situação era essa. Contudo, nesse ano, não atrasamos nem um dia os salários. Estamos conseguindo pagar em dia”, conta.
Ela comenta que as dificuldades estão sendo superadas, pois a direção e os professores da EFA Serra Gaúcha acreditam que o projeto dará certo no futuro. “A EFASC, de Santa Cruz do Sul, é um exemplo de que essa ideia pode dar certo. No começo, eles também tiveram muitas dificuldades, mas não desistiram e hoje estão muito bem. Nesse momento, estamos focados em conseguir ajuda de todos os municípios que possuem alunos aqui. Isso resolveria a nossa situação”, pontua.
Ivone frisa que os pais são os maiores incentivadores da escola, já que os alunos se mostram interessados e aplicam o que aprendem em aula nas propriedades, melhorando os negócios das famílias.
100% de aproveitamento
Ao final de três anos e meio, o aluno recebe o certificado de conclusão do ensino médio e a habilitação para atuar como técnico agrícola. As aulas teóricas são ministradas na própria EFA Serra Gaúcha e na Faculdade de Integração do Ensino Superior do Cone Sul (FISUL) de Garibaldi.
As aulas práticas são feitas na escola e na propriedade rural da família do aluno. A coordenadora geral da EFASG, Ivone Möllmann Manica, explica que o desenvolvimento dos alunos nesse primeiro ano tem sido notável, com diversas mudanças positivas, inclusive no convívio com as pessoas. “Eles estão muito satisfeitos e percebemos que 70% deles irão mesmo permanecer em suas propriedades rurais, o que é o nosso grande objetivo”. Porém, a coordenadora destaca que a vontade de permanecer na propriedade rural não é um quesito obrigatório para quem deseja ingressar na EFA. “Eles podem estudar aqui para ter uma formação técnica em agricultura. Muitos querem ser veterinários, por exemplo. Aqui eles têm um aprendizado específico e solidificado para que também possam competir em boas universidades”, destaca.
Esse é o caso da estudante Jenifer dos Santos Stumm, 16 anos. Ela iria cursar o segundo ano do ensino médio em uma escola regular quando decidiu que queria ingressar na EFA Serra Gaúcha. Em 2014, ela matriculou-se na instituição e voltou para o primeiro ano. A jovem mora na cidade de Garibaldi e sua família não trabalha com agricultura. Porém, ela conta que seu sonho é se formar em Medicina Veterinária. “Fiquei sabendo da escola e pesquisei mais na internet. Gostei da metodologia de ensino, pois temos áreas voltadas para o que desejo fazer no futuro”, conta ela, frisando o quanto está satisfeita com a escolha. “Estou aprendendo muita coisa que nunca havia me interessado antes e está sendo muito melhor do que eu esperava. Certamente essa formação irá agregar muito para a minha carreira”, completa.
Fonte: http://www.avindima.com.br/?p=6249
“Esse é o caso da estudante Jenifer dos Santos Stumm, 16 anos. Ela iria cursar o segundo ano do ensino médio em uma escola regular quando decidiu que queria ingressar na EFA Serra Gaúcha. Em 2014, ela matriculou-se na instituição e voltou para o primeiro ano”. Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN – n° 9.394/1996 – julgue as posições a seguir sobre o fato de Jenifer dos
Santos Stumm ter voltado a cursar novamente 1º ano do ensino médio:
I – A atitude da escola atende aos princípios da Lei, pois se um estudante cursou o ensino médio regular e opta por ingressar em um curso de ensino médio integrado à educação profissional, mesmo que esteja apto a cursar o último ano do ensino médio, terá de voltar obrigatoriamente a cursar o primeiro ano.
II – A escola poderia ter aplicado o disposto no Art. 23, § 1º, que possibilita a reclassificação dos alunos, inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior, tendo como base as normas curriculares gerais. Desse modo, a estudante poderia ter cursado normalmente o segundo ano, caso a escola verificasse tal possibilidade a partir da análise e comparação criteriosa da organização curricular de ambas as instituições de ensino.
III – Caso a escola anterior fosse privada e situada em área urbana, a estudante deveria ter sido mantida no 2º ano do ensino médio. Provavelmente ela foi encaminhada ao 1º por ter sido oriunda de uma escola rural, cujo o ensino é precário e, por esta razão, respaldada na Lei, a escola obrigou o refazimento do 1º ano do ensino médio.
Está(ão) correta(s):