Leia o texto III e responda os itens de 14 a 18.
Texto III
William Kamkwamba e o sonho de construir um moinho de vento
01William Kamkwamba é o nome de um verdadeiro vencedor. Nascido no Malawi, país da África
Oriental, passou a infância apenas naquela terra, sem nunca ter tido contato com nenhuma
tecnologia como celulares, computadores, internet, sequer energia elétrica. Porém, com muita
determinação e empenho, William construiu uma máquina que mudou sua vida e de toda a
05comunidade.
William foi criado em uma família com 7 crianças, sendo ele o único menino. Era uma família
muito pobre e todos eram camponeses. Plantavam milho, sendo por meio dessa monocultura que
conseguiam o seu pouco sustento. Porém, em 2001, houve uma seca terrível, acabando com a
plantação e ocasionando uma grande temporada de fome na região.
10Esse período gerou problemas para o estudo de William. No Malawi, a partir do segundo dia de
aula é preciso pagar matrícula, e a falta de dinheiro ocasionada pela seca e fome o obrigaram a sair
da escola. Contudo, ele estava determinado a continuar aprendendo e, mesmo sem dinheiro para
frequentar aulas, com a ajuda de uma professora, começou a pegar livros emprestados da
biblioteca da escola. Adorava, principalmente, os de ciência, especificamente sobre física. Não
15possuía domínio da língua inglesa, então, apenas analisava os diagramas e figuras para aprender as
palavras ao redor. Foi assim que sua vida mudou.
Lendo um livro chamado Using Energy, William aprendeu sobre a tecnologia do moinho, que
pode gerar eletricidade a partir do bombeamento de água. Ele percebeu que bombear água s
ignifica irrigação e irrigação era uma defesa contra a fome que o povo de Malawi estava
20 passando. Determinado, ele disse: “Vou construir um moinho sozinho!”. Apesar da euforia e da
pouca idade, apenas 14 anos, percebeu que não tinha os materiais necessários para tal. Foi até um
ferro-velho e achou tudo de que precisava: um ventilador de trator, um amortecedor, tubos de
PVC, um quadro e um dínamo de bicicleta.
Começou a construção. Todos em Malawi o achavam louco, inclusive sua mãe, e tentavam
desencorajá-lo. Porém, o sonho de levar eletricidade e irrigação para seu povo ia além dos limites
25racionais e continuou a montagem. Quando finalizada, acendeu uma lâmpada, depois quatro, com
interruptores e até um disjuntor. Os moradores da região faziam fila em sua casa para conhecer o
invento, depois vieram os jornalistas, palestras ao redor do mundo e a criação de um projeto
chamado Moving Windmills Project para mobilizar a comunidade internacional a levar projetos
sociais e investimentos para seu país.
30Em 2008, William foi convidado para estudar na African Leadership Academy, uma
universidade cujo objetivo é preparar os líderes africanos do futuro. A história desse rapaz está
registrada no filme “O menino que descobriu o vento”, da NetFlix, e nos diz muito sobre
motivação, não desistir de nossos sonhos, mesmo que as adversidades sejam de uma proporção
incrível em relação a todas as oportunidades.
35Texto Adaptado. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2010/12/william-kamkwamba-e-o-sonho-de-construir-um-moinho-de-vento.html Acesso em 21 Agosto de 2019.
Texto II
Uma longa caminhada até a água
01A ida era fácil. Na ida, o grande pote de plástico continha apenas ar. Alta para os seus 11 anos, Nya podia trocar a alça de uma mão para outra, balançar o pote ao seu lado, ou agarrá-lo com os dois braços. Podia até mesmo arrastá-lo atrás de si, provocando solavancos no chão e levantando uma pequena nuvem de poeira a cada passo.
05Havia pouco peso na ida. Havia apenas calor. Era provável que ela levasse metade da manhã se não parasse no caminho. Calor. Tempo. E espinhos.
Havia sempre tanta vida em volta da lagoa: outras pessoas, principalmente mulheres e meninas que vinham encher seus próprios potes; muitos tipos de pássaros, o bater das asas, trinados e gorjeios; rebanhos de gado conduzidos aos bons pastos pelos garotos que cuidavam deles.
10Nya pegou a cuia que estava amarrada à alça do pote plástico. Desamarrou-a, enfiou-a na água lamacenta marrom e bebeu. Foram necessárias duas cuias cheias para refrescá-la.
Ela encheu o pote até a boca. Depois voltou a amarrar a cuia no lugar e tirou do bolso a almofadinha de pano circular. A almofadinha foi posta no alto de sua cabeça, seguida pelo pesado pote de água, que ela manteria no lugar com uma das mãos.
15Com a água equilibrada na cabeça e o pé ferido por um espinho, Nya sabia que voltar para casa levaria mais tempo do que chegar ali. Mas ela estaria lá por volta do meio-dia, se tudo corresse bem.
Quando finalmente chegou, a mãe de Nya pegou o pote plástico de sua mão e derramou toda a água em três grandes jarros. [...] Tendo ficado em casa apenas o tempo suficiente para comer, Nya faria agora sua segunda viagem à lagoa. Ida e volta, ida e volta, quase um dia inteiro só 20caminhando. Essa era a rotina dela durante sete meses do ano. Diariamente. Todo santo dia.
Havia um grande lago a três dias de caminhada da aldeia de Nya. Todo ano, quando as chuvas cessavam e a lagoa perto da aldeia secava, a família dela mudava-se de casa para um acampamento perto desse grande lago.
Devido a brigas frequentes, a família de Nya não morava perto do lago o ano todo. A tribo Nuer 25brigava com a rival Dinka por causa das terras em volta do lago. Homens e meninos eram feridos e até mesmo mortos quando os dois grupos entravam em choque. Então Nya e o resto de sua aldeia viviam junto ao lago apenas durante os cinco meses da estação seca, quando as tribos estavam ocupadas demais em sobreviver e as disputas diminuíam com frequência.
A tarefa de Nya no acampamento era a mesma que em casa: ir buscar água. Com as mãos, ela 30cavava um buraco que ficasse tão fundo quanto o comprimento do seu braço. medida que cavava, o barro ficava mais e mais úmido, até que a água começava a escorrer no fundo do buraco.
A água que enchia o buraco era suja, mais lama que líquido. Ela levava um longo tempo para encher algumas cuias. Nya ficava agachada junto ao buraco, esperando.
Esperando pela água. Ali, por horas a cada vez. E todo dia durante cinco longos meses, até que 35as chuvas voltassem a cair e ela e sua família pudessem retornar para casa.
Adaptado. PARK, Linda Sue. Uma longa caminhada até a água. Tradução de George Schlesinger. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2016
Qual semelhança pode ser estabelecida entre os textos II e III?