A questão refere-se ao texto a seguir.
EDITORES, BONS LEITORES
Ana Laura Gallardo
A palavra “edição” tem múltiplas acepções. O Dicionário da Língua Espanhola da RAE mostra uma enorme lista de significados da palavra: “produção impressa de exemplares de um texto […], conjunto de exemplares de uma obra impressos de uma só vez […], coleção de livros que têm características comuns […], impressão ou gravação de um disco ou de uma obra audiovisual […], cada uma das sucessivas tiragens de um periódico […], emissão de vários programas informativos de rádio ou televisão […], celebração de determinado evento […]”, etc. Mas qual é o nosso trabalho? O do editor de publicações? Estou convencida de que um editor é, a todo momento, um bom leitor, nos sentidos metafórico e literal da palavra.
Um editor é aquela pessoa capaz de “fazer uma boa leitura do mercado”, alimentando-se das publicações existentes, pensando sobre aquelas que não existem, mas que seria interessante que existissem, e “lendo” os interesses e necessidades do público ávido de novas publicações.
Mas não deve estar atento só a isso, como também deve “ler”, no sentido literal da palavra. Um editor vende conteúdos, nos quais deve estar imerso, assim como saber o que há por detrás das capas dos livros.
Um editor deve, além disso, fazer uma boa leitura da infinita oferta de autores existentes e estar à caça de novos talentos que possam criar um produto (porque, definitivamente, o livro é também um produto) surpreendente e acima da média.
O editor não é um simples revisor de estilo porque deve se colocar no lugar do escritor, e não cumprir normas idênticas para todos, como faria o revisor. O editor está em constante e permanente contato com a matéria-prima do escritor, sendo capaz de fazer uma leitura crítica e positiva do original e propondo alterações devidamente fundamentadas que constituam um benefício para aumentar a qualidade do original. Por isso, deve ser um “bom leitor” do material que está editando (o editor está editando desde a concepção do projeto) e tomar a suficiente distância do autor e, muitas vezes, de sua própria figura de editor, para ler como se fosse o leitor final do livro.
Além disso, o editor é a pessoa que cria seus próprios projetos editoriais, levando em conta sua leitura do mercado. Plasma suas ideias em um projeto, levando em conta todas as dificuldades que tem a edição de uma publicação. Ele não pode deixar nada de lado: avaliar, fazer cálculos econômicos, pensar no conteúdo, no autor, no design, no marketing, na venda, na distribuição.
Mas, muitas vezes, esse projeto editorial precisará da “boa leitura” de outros “editores” críticos e distantes, que façam uma leitura objetiva e positiva do projeto, definindo quais são seus pontos fortes e fracos.
O editor é aquele que cumpre um papel de protagonista em todo o processo de edição, desde a criação do projeto até a colocação do livro nas livrarias. É quem elege e tem contato com o autor e sua obra, é quem decide sobre a imagem da publicação e trabalha com os editores de arte ou designers para oferecer uma “boa leitura” visual do produto, é quem escreve os textos de contracapa e orelhas, compila, seleciona, recorta, sugere; é quem avalia custos, decide sobre tintas, impressões, papel, faz o plano de marketing da publicação, é quem decide a distribuição e o preço.
O editor é um empresário de produtos culturais que intervém em cada um dos passos do processo de publicação de um livro, sempre tendo presente que não é um escritor, nem um designer, nem um revisor, é um “bom leitor” que poderia responder a uma questão como esta:
– Qual é sua profissão?
– Editor.
– Tenho uns escritos que quero publicar. Você poderia me ajudar?
In: Editores, buenos lectores, ano 1, n. 0, jul., 2008. Tradução Ana Elisa Ribeiro.
A concepção subjacente ao texto sobre a atuação do revisor trata esse profissional como