Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.
Sobre as vaidades
A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que
não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.
Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um individuo alimenta
por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade
pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: "Você não me
conhece..." Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se
sentir como um deus.
Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho
socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade
de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com
base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.
Em suma: há a vaidade de quem afirma "sou vaidoso pelo que sou" e há a vaidade de quem pode afirmar "estou vaidoso pelo
que faço". Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do "simplesmente ser" para o "aplicar-se num fazer". É a
distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.
(Leodegário Corsi, a editar)